Excesso de gases não é normal e pode indicar problemas de saúde
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Os gases são resultado do acúmulo de ar no sistema digestivo, liberados pelo ânus (flatos) ou pela boca (arrotos ou eructação), ocorrendo devido à fermentação durante a digestão dos alimentos. Normalmente, não são motivo de preocupação, mas o excesso pode indicar alterações no sistema digestivo e até doenças mais complexas.
A eliminação de gases ocorre geralmente entre 13 e 21 vezes por dia, totalizando de 0,6 a 1,8 litros. Estima-se que um homem libere entre 14 e 25 gases por dia, enquanto uma mulher, de 7 a 12. Caso o número ultrapasse essa média, pode haver flatulência excessiva, que pode ser ocasionada por fatores como uso de gomas de mascar, fumo, falar muito durante as refeições, mania de morder objetos, ingestão de bebidas gaseificadas e comer muito rápido.
Os quadros que exigem atenção incluem distensão abdominal, desconforto e dores fortes no abdômen e/ou no tórax. O excesso de gases pode ser caracterizado por mal-estar geral, fisgada no peito, azia, barriga dura, falta de ar, prisão de ventre e até dor nas costas, conforme estudo da Lewis Katz School of Medicine at Temple University. Nesses casos, o paciente pode ser orientado sobre a ecoendoscopia alta para identificar a origem do problema.
Quando há dor abdominal prolongada, sangue nas fezes, mudanças na cor, textura ou frequência das evacuações, dores constantes no peito, perda de peso não intencional, náusea ou vômitos recorrentes, também é necessária investigação médica. O médico poderá avaliar a necessidade de realização de colonoscopia para auxiliar no diagnóstico, orientando o paciente sobre o exame, sua finalidade, preparação e cuidados após o procedimento.
O estudo da Lewis Katz School of Medicine at Temple University afirma que cerca de 75% dos flatos são derivados da fermentação das bactérias colônicas dos nutrientes ingeridos e glicoproteínas endógenas. O metabolismo bacteriano produz hidrogênio, metano e dióxido de carbono, e o odor dos flatos está relacionado à concentração de sulfeto de hidrogênio. Quanto aos arrotos, há maior probabilidade de ocorrerem logo após as refeições ou durante períodos de estresse.
A gastroenterologista e endoscopista Aline Casado explica que “os gases se acumulam no estômago e são eliminados por meio da eructação. Quando isso não ocorre, são transportados até o intestino delgado, onde são parcialmente absorvidos, e o restante se dirige ao intestino grosso, sendo eliminados pelo ânus, na forma de flatos”.
A quantidade de gases pode aumentar em casos de constipação intestinal. Se a dieta é equilibrada e ainda assim há flatulência excessiva, o sintoma pode estar ligado a outras condições médicas, como prisão de ventre, gastroenterite infecciosa, intolerâncias alimentares, doença celíaca, doenças do aparelho digestivo e intoxicações alimentares.
Alguns grupos de alimentos são mais fermentáveis e podem levar ao aumento da flatulência, como leguminosas (feijão, grão-de-bico, lentilha), vegetais crucíferos (repolho, couve-flor, brócolis, alcachofra) e lactose, o açúcar do leite. Também fazem parte da lista de alimentos fermentáveis o amido (batata, cereais, trigo), sorbitol e frutose, carboidratos presentes em diversos alimentos e usados como adoçantes em produtos industrializados, além das fibras, que podem sofrer fermentação pelas bactérias intestinais.
A flatulência excessiva pode ser causada também pela aerofagia, que é a ingestão anormal de ar, comum em quem possui o hábito de mascar chicletes e em profissionais que trabalham com a fala.
As causas podem estar relacionadas à má digestão; hipocloridria, que é a redução do ácido gástrico por uso crônico de alguns medicamentos, gastrite atrófica e gastrectomias; disbiose, parasitoses e síndrome do intestino irritável (SII). A médica de Saúde Familiar Clarisse Bezerra aponta que “o uso de antiácidos e de antibióticos pode alterar a flora intestinal e, assim, o processo de fermentação dos microrganismos, o que colabora para o aumento da produção de gases intestinais”.
É importante observar sinais de alerta que indicam a necessidade de investigação médica, como dor abdominal prolongada, sangue nas fezes, alterações na cor, textura ou frequência das evacuações, dores constantes no peito, perda de peso não intencional, náuseas ou vômitos recorrentes. Nesses casos, o médico poderá solicitar exames específicos para diagnóstico e orientar sobre os cuidados necessários.



