Diagnóstico cresce no Brasil, mas inclusão de crianças autistas ainda enfrenta desafios
Avanços no diagnóstico do TEA destacam a necessidade de ações práticas para inclusão
Abril é o mês de conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). No Brasil, mais de 2,4 milhões de pessoas possuem diagnóstico de autismo, segundo o IBGE, com maior prevalência entre crianças e adolescentes, especialmente na faixa etária de 5 a 9 anos. O Censo Escolar 2024 do INEP aponta que mais de 900 mil estudantes com TEA estão matriculados nas escolas brasileiras, evidenciando a necessidade de discutir não apenas o acesso, mas a qualidade da inclusão.
Nos últimos anos, o debate sobre autismo tem avançado para além do diagnóstico, focando em como promover a inclusão real no cotidiano dessas crianças. A psicóloga e mestre em Análise do Comportamento, Thalita Possmoser, da Genial Care, destaca que “quanto mais cedo o diagnóstico é realizado, maiores são as possibilidades de oferecer o suporte adequado”. Ela explica que a identificação tardia pode dificultar a comunicação, a interação social e a adaptação curricular, impactando negativamente a experiência escolar e o engajamento da criança.
A inclusão, portanto, não se limita à presença em sala de aula ou ao acesso a serviços, mas envolve o desenvolvimento de habilidades essenciais para o dia a dia, como comunicação, adaptação a mudanças, interação social e construção da independência. Thalita ressalta que “grande parte do preconceito contra o autismo nasce da falta de informação” e que reconhecer a singularidade de cada pessoa no espectro ajuda a derrubar barreiras sociais.
Para promover a inclusão na prática, são indicados sete caminhos fundamentais:
1) Investir no diagnóstico precoce para iniciar intervenções eficazes no momento em que o cérebro está mais receptivo ao aprendizado;
2) Estimular o desenvolvimento de habilidades cotidianas, como se vestir e pedir ajuda, fortalecendo a autonomia;
3) Adaptar a forma de ensinar e interagir, utilizando recursos visuais e respeitando o ritmo da criança;
4) Fortalecer o diálogo entre família, escola e profissionais para alinhar estratégias de cuidado;
5) Garantir acesso a suporte especializado para desenvolver habilidades específicas e orientar famílias;
6) Promover ambientes acessíveis e acolhedores, com rotinas previsíveis e menos estímulos excessivos;
7) Combater estigmas e ampliar a informação para construir ambientes mais empáticos e inclusivos.
A Genial Care, rede especializada em cuidado para crianças autistas, atua com uma equipe multidisciplinar para garantir que cada criança alcance seu máximo potencial. Conforme destaca Thalita Possmoser, “o diagnóstico não deve ser visto como um limite, mas como uma oportunidade de oferecer suporte adequado”. A informação e o acolhimento são essenciais para que crianças com TEA possam se desenvolver plenamente e participar ativamente da sociedade.



