21% dos jovens brasileiros não têm com quem contar em momentos difíceis
Pesquisa inédita revela isolamento social por faixa etária, classe e trabalho no Brasil
Uma pesquisa inédita intitulada “O Mapa da Felicidade Real no Brasil 2026” revelou que 12% da população brasileira não possui ninguém a quem recorrer em momentos difíceis. Entre os jovens de 16 a 24 anos, esse índice atinge 21%. O estudo foi conduzido pela pesquisadora da Ciência da Felicidade Renata Rivetti, que entrevistou 1.500 brasileiros entre 20 de fevereiro e 1º de março de 2026, com margem de erro de 2,5 pontos percentuais e 95% de confiança estatística.
O levantamento é o primeiro a mapear o isolamento social no Brasil com detalhamento por faixa etária, classe social, escolaridade, orientação sexual, região e modelo de trabalho. Os dados indicam que o isolamento não é distribuído de forma homogênea. Nas classes D/E, 18% das pessoas estão sem suporte social, enquanto nas classes A/B esse percentual é de 7%. Regionalmente, o Sul do país apresenta 16% de pessoas isoladas, contra 9% no Norte.
A pesquisa destaca diferenças por gênero e escolaridade. Homens relatam maior ausência de suporte social (15%) em comparação às mulheres (11%). Quanto à escolaridade, 5% dos entrevistados com ensino superior não têm com quem contar, enquanto esse número sobe para 18% entre aqueles com ensino fundamental.
O modelo de trabalho também influencia o isolamento: 16% dos trabalhadores na escala 6×1 estão sem suporte social, o dobro dos 8% que trabalham no modelo 5×2. Pessoas sem religião apresentam 16% de isolamento, contra 11% entre católicos.
Outro aspecto relevante é a orientação sexual. Entre heterossexuais, 11% não têm rede de apoio; entre homossexuais, o índice é 16%; entre bissexuais, 18%; e entre pessoas de outras orientações, chega a 21%.
Renata Rivetti ressalta a importância das conexões sociais para o bem-estar, afirmando que “nunca fomos tão conectados e tão solitários”. Ela cita o relatório da Organização Mundial da Saúde de 2025, que compara os danos da falta de conexão social ao consumo de 15 cigarros por dia.
A pesquisadora destaca que fatores como trabalhar muito, não ter religião, ser jovem, LGBTQIA+ e estar na classe D/E aumentam o isolamento social. Apesar desses dados, o estudo revela que 93% dos brasileiros mantêm esperança em dias melhores, mostrando um contraste entre o isolamento e a expectativa positiva da população.



