Startup brasileira finalista do MIT Solve apresenta tecnologia para diagnóstico precoce de câncer
Huna leva solução baseada em inteligência artificial à Assembleia Geral da OMS em Genebra
A startup brasileira Huna foi selecionada como a única representante do país entre os cinco finalistas globais do desafio promovido pelo MIT Solve, que reuniu 393 empresas de 68 países. A empresa apresentará sua tecnologia durante a semana da Assembleia Geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), em maio, em Genebra, um dos principais fóruns internacionais de saúde pública.
A Huna desenvolveu uma plataforma que utiliza inteligência artificial para analisar dados já existentes no sistema de saúde, como exames de rotina — por exemplo, hemogramas — e gerar escores de risco oncológico individualizados. Essa tecnologia permite estratificar populações inteiras e priorizar automaticamente pacientes com maior probabilidade de desenvolver câncer, sem a necessidade de novos exames ou infraestrutura adicional.
Além da identificação do risco, a solução atua na coordenação da jornada do paciente, reduzindo abandono, atrasos e falhas no acompanhamento até o diagnóstico. Essa abordagem propõe uma mudança na lógica do rastreamento oncológico, direcionando recursos para quem realmente precisa, o que aumenta a eficiência e o impacto dos sistemas de saúde.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, o mundo deve registrar cerca de 35 milhões de novos casos de câncer por ano até 2050, e a doença já é o segundo maior fator de custo para os sistemas de saúde, com impacto econômico projetado em US$ 25 trilhões no período.
A Huna busca enfrentar esse desafio estrutural, identificando melhor quem está em risco e assegurando que esses pacientes avancem na jornada de cuidado antes da evolução da doença.
Daniella Castro, cofundadora e CTO da Huna, destaca que “a escalabilidade da Huna vem de um princípio simples: o dado já existe. Ao aplicar inteligência artificial sobre exames de rotina, conseguimos identificar risco de câncer em larga escala, sem depender de infraestrutura complexa, o que torna essa abordagem viável globalmente, inclusive em sistemas com poucos recursos”.
A solução da Huna se adapta a diferentes realidades de sistemas de saúde, incluindo contextos com limitações de infraestrutura, um dos critérios centrais do desafio global do MIT Solve. A empresa utiliza dados amplamente disponíveis e exames de baixo custo, o que permite escalar rapidamente e atuar de forma consistente tanto em sistemas avançados quanto em contextos com poucos recursos.
A participação da Huna na Assembleia Geral da OMS coloca a inteligência artificial no centro das discussões internacionais sobre o futuro da saúde, apontando para um modelo mais preditivo, baseado em dados e orientado à antecipação de riscos. Essa mudança é vista como necessária para sair de um modelo reativo e avançar para uma abordagem que identifique riscos antes que se tornem desfechos clínicos desfavoráveis.



