O que diferencia empresários que crescem dos que ficam travados nos negócios?
No Brasil, o contraste tem se
O que diferencia empresários que crescem dos que ficam travados nos negócios? No Brasil, o contraste tem se intensificado. Dados da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) indicam que apenas 27% das micro e pequenas empresas conseguiram crescer em 2024, enquanto a maioria opera com faturamento estagnado ou instável. Ao mesmo tempo, projeções do Banco Central apontam expansão econômica próxima de 2% em 2025, o que eleva a exigência por eficiência e estratégia.
Para especialistas, a diferença entre crescimento e estagnação passa pelo produto e pelo mercado, mas principalmente pela forma como líderes tomam decisões, se posicionam e constroem percepção de valor.
A psicóloga, empresária e mentora Fernanda Tochetto, fundadora do Tittanium Club e cofundadora da Mentoring League Society, é criadora do conceito de mentalidade de valor, estratégia que conecta comportamento, posicionamento e resultado nos negócios. Segundo ela, empresas que crescem não competem por preço, mas pela forma como são percebidas. “Valor não está no que a empresa entrega, mas no que o mercado reconhece. E isso é construído com decisão, consistência e posicionamento claro”, afirma.
Esse modelo pode ser observado em trajetórias que priorizam posicionamento, comunidade e construção de valor percebido. O empresário Flávio Augusto tem trabalhado a autoridade e o relacionamento como ativos estratégicos e estruturou um modelo baseado em conteúdo, curadoria e comunidade como alavancas de crescimento desde o início da década passada.
Segundo a especialista, a mentalidade de valor se sustenta em decisões estruturais do empresário, que envolvem o cuidado com a saúde física, emocional e espiritual, o uso estratégico do tempo, a clareza de propósito na liderança, além da construção de autoridade, da previsibilidade de vendas e da inserção em um ecossistema de negócios qualificado. “Valor não é o que você acredita que entrega, é o que o mercado percebe. E essa percepção é construída com consistência, posicionamento e prova real”, afirma.
Na prática, essa lógica reorganiza prioridades e redefine o conceito de crescimento empresarial. Saúde, tempo, dinheiro e paz passam a operar de forma integrada, com impacto direto na tomada de decisão, na consistência operacional e na capacidade de crescimento sustentável dos negócios.
Empresas que operam com base em valor tendem a elevar ticket médio, atrair clientes mais qualificados e reduzir a dependência de volume para crescer. Já negócios que competem apenas por preço enfrentam maior pressão de margem e dificuldade de diferenciação.
Esse movimento acompanha mudanças no comportamento do consumidor. O Edelman Trust Barometer 2024 aponta que 68% dos brasileiros confiam mais em líderes com reputação consolidada do que em empresas, o que reforça o peso da autoridade na decisão de compra.
Para Tochetto, um dos principais erros está na condução da rotina. Empresários estagnados tendem a operar sob pressão constante, reagindo a problemas imediatos e repetindo padrões que não geram avanço. “O empresário ocupado não é necessariamente um empresário em crescimento. Quem está preso na operação tende a manter o negócio no mesmo lugar”, afirma.
A transição, segundo ela, não depende de mais informação, mas de execução consistente. Revisar decisões, organizar o posicionamento, construir percepção de valor e se inserir em ambientes estratégicos são movimentos centrais. “Muitos empresários sabem o que precisa ser feito, mas não sustentam a execução. Mentalidade de valor é o que mantém o crescimento no longo prazo”, diz.
Com o aumento da exigência por posicionamento claro, fatores como comportamento de liderança, clareza estratégica e construção de valor tendem a ganhar ainda mais peso nos resultados. Para a especialista, crescimento não está ligado ao volume de esforço, mas à forma como o empresário pensa, decide e se posiciona. “Empresas não estagnam por falta de oportunidade, mas por falta de mentalidade de valor. É isso que sustenta crescimento consistente no longo prazo”, conclui.



