Diagnóstico de autismo em mulheres ocorre frequentemente na vida adulta
No Brasil, estima-se que até 2 milhões de pessoas tenham Transtorno do Espectro Autista (TEA), segundo levantamento da
No Brasil, estima-se que até 2 milhões de pessoas tenham Transtorno do Espectro Autista (TEA), segundo levantamento da Agência IBGE. O diagnóstico em mulheres é significativamente menor do que em homens, o que configura um cenário de subdiagnóstico persistente. A psicóloga Gabriela Inthurn, especialista da UNIASSELVI, explica que essa diferença está relacionada ao fenômeno conhecido como “masking”, um esforço intenso que meninas e mulheres autistas fazem para mascarar seus traços e se adaptar socialmente, dificultando o reconhecimento do transtorno.
Desde a infância, meninas no espectro aprendem a imitar comportamentos neurotípicos, como forçar contato visual, ensaiar conversas mentalmente e suprimir movimentos repetitivos, tornando-se verdadeiras “atrizes sociais”. Embora essa estratégia ajude a evitar o isolamento e o preconceito, pode causar desconexão da identidade autêntica e esgotamento emocional.
Além disso, os interesses restritos das mulheres autistas costumam ser mais sutis, voltados para temas considerados comuns, como literatura, artes ou animais, o que contribui para que os sinais passem despercebidos. A pressão social para que meninas sejam mais sociáveis e quietas cria uma “cortina de fumaça” que esconde os sintomas, levando ao subdiagnóstico.
O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, da Associação Americana de Psiquiatria, indica que o TEA é diagnosticado de três a quatro vezes mais em homens, mesmo com critérios iguais para ambos os gêneros. Gabriela Inthurn destaca que o modelo de diagnóstico foi historicamente baseado no comportamento masculino, dificultando a identificação das manifestações femininas, muitas vezes internalizadas ou camufladas.
A ausência de diagnóstico precoce pode resultar em prejuízos na aprendizagem, nos relacionamentos, na vida profissional e na autoestima. A intervenção terapêutica costuma ocorrer apenas após a confirmação do diagnóstico, reforçando a importância de avaliações clínicas especializadas.
A busca pelo diagnóstico em mulheres adultas geralmente começa com a autoidentificação, frequentemente motivada por relatos em redes sociais. Contudo, é fundamental que a avaliação seja realizada por profissionais qualificados, como psicólogos ou médicos, para confirmar o diagnóstico e diferenciar o TEA de outras condições com sintomas semelhantes, como transtornos de ansiedade ou TDAH.
A UNIASSELVI, instituição de ensino superior reconhecida nacionalmente, destaca a relevância do tema e disponibiliza especialistas para aprofundar a discussão sobre o autismo em mulheres, reforçando a necessidade de maior atenção e capacitação para o diagnóstico adequado.



