O que a sua mordida revela sobre sua postura

Alterações na oclusão dentária podem influenciar a posição da cabeça e a musculatura cervical

A relação entre mordida e postura corporal tem sido objeto de estudos que envolvem odontologia, biomecânica e saúde musculoesquelética. Pesquisas indicam que alterações na oclusão dentária, ou seja, na forma como os dentes superiores e inferiores se encaixam, podem influenciar o posicionamento da cabeça e a musculatura cervical, gerando adaptações ao longo do corpo.

Dados da Pesquisa Nacional de Saúde, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, mostram que milhões de brasileiros convivem com dor crônica na coluna, frequentemente associada ao sedentarismo, ao tempo excessivo diante de telas e a desvios posturais. Nesse contexto, a oclusão dentária tem sido investigada como um fator pouco explorado fora do meio técnico.

Quando a mordida apresenta assimetrias, seja por desalinhamento, mastigação predominante de um lado ou histórico de intervenções odontológicas, parte da literatura científica aponta que o sistema muscular da mandíbula pode influenciar o equilíbrio da cabeça e da região cervical. Estudos publicados em periódicos de reabilitação oral e biomecânica investigam possíveis relações entre disfunções da articulação temporomandibular (ATM) e alterações na postura craniocervical, considerando as conexões neuromusculares entre mandíbula, crânio e coluna cervical e como esses vínculos podem gerar ajustes compensatórios ao longo do corpo.

Na prática clínica, essas adaptações tendem a ocorrer de forma gradual. Pequenos desequilíbrios na ativação muscular da mandíbula podem levar o organismo a reposicionar, ainda que de maneira sutil, a cabeça e a região cervical, áreas diretamente ligadas ao controle do equilíbrio postural.

O cirurgião-dentista André Girotto, que atua com avaliação funcional da oclusão e da ATM, destaca que muitos pacientes chegam após passarem por diferentes especialidades, sem que a oclusão tenha sido investigada como possível fator associado. Ele explica que a organização motora do corpo humano tem relação direta com a função alimentar: “Grande parte da nossa motricidade foi estruturada para conduzir a boca em direção aos alimentos. Não por acaso, os principais órgãos de percepção do ambiente estão organizados ao redor dela”.

Segundo Girotto, o corpo tende a compensar pequenas assimetrias para manter estabilidade. “Quando a mordida distribui força de forma desigual, a musculatura responde tentando equilibrar o sistema. Com o tempo, essa adaptação pode gerar tensão na região cervical, que tende a se propagar pelas cadeias musculares”, afirma.

Entre os recursos avaliados em consultório estão dispositivos intraorais personalizados, semelhantes às placas utilizadas no tratamento de disfunções da ATM. Esses aparelhos buscam favorecer uma relação mais equilibrada entre as articulações temporomandibulares e a musculatura envolvida na mastigação. A proposta não é aumentar força física, mas promover uma ativação muscular mais simétrica e reduzir sobrecargas que, em alguns pacientes, podem estar associadas a dor ou desconforto postural.

Esse tipo de abordagem também começa a ser observado em ambientes esportivos e de treinamento, onde estabilidade corporal e distribuição de força são essenciais para o desempenho e a prevenção de lesões.

Com o aumento das queixas de dor musculoesquelética e a busca por abordagens menos invasivas, a investigação sobre a relação entre mandíbula, postura e equilíbrio corporal tende a ganhar ainda mais espaço nos próximos anos.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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