Novas diretrizes da ABESO para o uso responsável de medicamentos no tratamento da obesidade
Recomendações reforçam acompanhamento médico e abordagem integrada para emagrecimento sustentável
A publicação das novas diretrizes da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO) traz avanços importantes na forma como a obesidade deve ser tratada no país, especialmente no que diz respeito ao uso de medicamentos conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”. O documento reforça que a obesidade deve ser encarada como uma doença crônica, multifatorial e que exige acompanhamento contínuo, afastando a ideia de soluções rápidas ou isoladas.
Entre os pontos centrais, está a recomendação de que o uso de medicamentos como semaglutida e tirzepatida seja feito de forma criteriosa e sempre associado a mudanças no estilo de vida.
O nutrólogo Dr. Joaquim Menezes, sócio do Instituto Evollution, destaca que as diretrizes chegam em um momento necessário, diante da popularização dessas medicações fora do ambiente médico. “O grande mérito das novas recomendações é recolocar o tratamento da obesidade no lugar certo. O medicamento não é o tratamento completo, ele é uma ferramenta dentro de uma estratégia muito maior”, afirma.
Segundo o especialista, o uso isolado dessas medicações tende a gerar resultados limitados e pouco sustentáveis. “Sem ajuste de alimentação, sem estímulo à massa muscular e sem organização metabólica, o paciente pode até perder peso, mas dificilmente vai sustentar esse resultado ao longo do tempo”, explica.
As diretrizes também estabelecem critérios mais claros para a indicação do tratamento farmacológico, como índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 30 kg/m², ou a partir de 27 kg/m² na presença de comorbidades associadas. Além disso, o documento reforça a importância da individualização do tratamento, considerando fatores como perfil metabólico, comportamento alimentar e risco cardiovascular.
Outro ponto de atenção destacado por Dr. Joaquim é o risco do uso indiscriminado. “Estamos vendo um aumento no uso dessas medicações com foco exclusivamente estético, muitas vezes sem qualquer acompanhamento. Isso não só compromete o resultado como pode trazer riscos à saúde”, alerta.
O especialista também chama atenção para práticas ainda comuns no mercado, como o uso de substâncias sem respaldo científico. “A diretriz é bastante clara ao contraindicar esse tipo de abordagem. O tratamento precisa ser baseado em evidência, não em tendência”, pontua.
Para ele, o principal avanço das novas recomendações está na mudança de mentalidade. “O foco deixa de ser apenas o peso na balança e passa a ser a saúde metabólica do paciente. Isso muda completamente a forma como enxergamos o tratamento”, conclui.
Com a atualização das diretrizes, a expectativa é que o debate sobre o uso de medicamentos para emagrecimento se torne mais qualificado, priorizando segurança, eficácia e sustentabilidade dos resultados.



