IA nas empresas pode ampliar desigualdades e limitar liderança feminina
Tecnologia sem revisão de critérios reforça barreiras para mulheres em cargos de decisão
A adoção crescente da inteligência artificial (IA) nas empresas tem potencial para transformar processos internos, mas também pode reforçar desigualdades de gênero, especialmente no acesso das mulheres a cargos de liderança. Ferramentas como sistemas de recrutamento, gestão de desempenho e people analytics são cada vez mais utilizadas para apoiar decisões estratégicas. No entanto, sem uma revisão criteriosa dos parâmetros que orientam essas tecnologias, elas podem replicar e até amplificar padrões históricos que limitam a ascensão feminina.
Por muitos anos, acreditou-se que o avanço das mulheres no mercado de trabalho seria uma questão de tempo, com a progressão natural baseada em qualificação e experiência. Contudo, dados recentes indicam que, mesmo com níveis de formação equivalentes ou superiores aos dos homens, as mulheres enfrentam barreiras consistentes, principalmente para alcançar posições de decisão. Isso ocorre porque, segundo Joyce Romanelli, sócia-diretora da Fluxus, “a tecnologia não é neutra. Quando as empresas não revisam os critérios que orientam suas escolhas, acabam transformando padrões históricos em regra. A inteligência artificial não cria esses padrões, mas dá escala a eles.”
Os algoritmos utilizados tendem a identificar como “mais aderentes” os perfis que historicamente tiveram maior presença em cargos de liderança, o que mantém o ciclo da desigualdade. Além disso, mulheres são avaliadas com mais rigor e têm menos acesso a funções relacionadas a resultados financeiros e operações, áreas que frequentemente levam ao topo das organizações. O uso da IA nessas decisões, portanto, pode não apenas manter, mas acelerar essas disparidades.
Um ponto crucial destacado é que essas decisões mediadas por tecnologia carregam uma aparência de neutralidade e objetividade, tornando-as difíceis de questionar, mesmo quando refletem escolhas e critérios pouco visíveis. Muitas iniciativas de diversidade focam apenas na presença feminina, sem avançar para a ocupação de posições de poder e participação em decisões estratégicas. Isso pode levar a uma modernização dos processos sem uma transformação real da estrutura que sustenta a desigualdade.
A Fluxus, consultoria especializada em transformação organizacional, atua para alinhar estratégia, cultura e execução, promovendo o desenvolvimento de lideranças e a performance sustentável. Segundo Joyce Romanelli, “o modo como as empresas utilizam tecnologia hoje pode acelerar ou frear o avanço da igualdade de gênero nos cargos de liderança. A inteligência artificial pode impulsionar progresso, mas também ampliar desigualdades já existentes.”
Portanto, o desafio não está na tecnologia em si, mas nas decisões que orientam seu uso. É fundamental que as organizações revisem seus critérios internos, observando quem é promovido, quem acessa projetos estratégicos e quais trajetórias são valorizadas para garantir que a IA seja uma aliada na promoção da equidade de gênero.
Este conteúdo foi elaborado com dados da assessoria de imprensa.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



