Estudo ALLEGORY revela 76% de resposta em pacientes com Lúpus Eritematoso Sistêmico
Pesquisa de fase III mostra avanços no controle do LES e redução de crises com novo tratamento
O estudo clínico de fase III ALLEGORY trouxe resultados promissores para o tratamento do Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), uma doença autoimune crônica que afeta principalmente mulheres em idade fértil. Publicados no New England Journal of Medicine, os dados indicam que o medicamento obinutuzumabe, em combinação com a terapia padrão, proporcionou resposta em 76,7% dos pacientes após 52 semanas, enquanto no grupo que recebeu apenas o tratamento convencional a resposta foi de 53,5%.
Débora Calderaro, professora de reumatologia da UFMG e membro da Comissão de lúpus eritematoso sistêmico da Sociedade Brasileira de Reumatologia, explica que o LES provoca inflamação em diferentes partes do corpo e pode comprometer órgãos vitais, como rins, pele e articulações. “O LES é uma doença autoimune crônica, na qual o sistema imunológico passa a atacar o próprio organismo. Estima-se que mais de três milhões de pessoas vivam com a condição no mundo, sendo mais comum em mulheres em idade fértil.”
Além da melhora significativa dos sintomas, o estudo apontou avanços importantes em outros aspectos do tratamento. A taxa de remissão, definida como o controle ou desaparecimento dos sinais e sintomas, foi de 35,1% nos pacientes tratados com obinutuzumabe, comparada a 13,8% no grupo com terapia padrão. Outro ponto relevante foi a redução da necessidade de uso de corticoides, como a prednisona, que são frequentemente associados a efeitos colaterais quando usados por longos períodos.
Segundo Débora Calderaro, “um destaque importante é o aumento do tempo até a ocorrência de novas crises do LES, e a menor frequência da ocorrência destas novas crises, o que é fundamental para evitar danos permanentes a órgãos como rins, pele e articulações.” O obinutuzumabe atua diretamente sobre as células B, que desempenham papel central no desenvolvimento do lúpus.
Atualmente, os dados do estudo estão em análise por autoridades regulatórias como a Food and Drug Administration (FDA) e a European Medicines Agency (EMA). Caso seja aprovado, o medicamento poderá ampliar as opções terapêuticas para o controle do LES, oferecendo novas perspectivas para pacientes que convivem com a doença.
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