Hormônios femininos influenciam desempenho e revelam falhas no trabalho

Ciclos hormonais impactam produtividade e exigem políticas corporativas adaptadas à mulher

Os hormônios têm papel fundamental no desempenho feminino ao longo da vida, influenciando diretamente a produtividade no ambiente de trabalho. Desde a entrada no mercado até a menopausa, as oscilações hormonais afetam a cognição, energia, comportamento e tomada de decisão, mas ainda são pouco consideradas pelas empresas.

A médica e pesquisadora Fabiane Berta explica que o corpo feminino não funciona de forma linear, mas sim em ciclos que alteram o funcionamento cerebral. “Quando o ambiente de trabalho ignora isso, passa a exigir uma constância que não corresponde à realidade biológica”, afirma.

Na faixa dos 20 anos, período em que muitas mulheres iniciam suas carreiras, o ciclo menstrual já provoca variações dentro do mês, com dias de alto desempenho e outros de menor concentração e maior cansaço. Fabiane destaca que “isso não é falta de disciplina, é neuroquímica”. Para lidar com essas variações, ela sugere que as mulheres observem seu ciclo para distribuir tarefas de forma mais inteligente, enquanto as empresas devem permitir maior autonomia na gestão do tempo, evitando exigir produtividade uniforme diariamente.

Entre os 30 e 40 anos, fase de consolidação profissional, o corpo feminino apresenta maior complexidade hormonal devido a fatores como uso de anticoncepcionais, gestação e alterações no eixo hormonal. Apesar do aumento da capacidade analítica, a energia não responde da mesma forma. “O problema é que ninguém ensina a fazer gestão de energia, só de tempo”, comenta Fabiane. Ela reforça a importância de incluir a saúde hormonal na rotina, com sono, alimentação e acompanhamento médico, e que as empresas criem condições reais para a flexibilidade prometida.

A partir dos 40 anos, na perimenopausa, as oscilações hormonais se tornam mais intensas e imprevisíveis, causando sintomas como insônia, lapsos de memória, dificuldade de concentração e alterações de humor. Esses efeitos impactam o trabalho, mas raramente são reconhecidos. “A névoa cognitiva não é falta de capacidade, é uma alteração neurológica transitória, que pode ser tratada e manejada”, explica Fabiane. Ela recomenda ajustes práticos, como reduzir multitarefas e priorizar blocos de foco profundo, além de incluir a perimenopausa na agenda de saúde corporativa.

Após os 50 anos, com a menopausa, ocorre redução dos hormônios estrogênio e progesterona, mas muitas mulheres relatam maior estabilidade emocional e clareza na tomada de decisões. Mesmo assim, enfrentam invisibilidade profissional. “Existe um apagamento das mulheres acima dos 50 no mercado, e isso não tem relação com capacidade, pelo contrário”, destaca a especialista. Ela ressalta que é necessário combater o viés etário e valorizar a experiência e maturidade decisória dessas profissionais.

Fabiane Berta reforça que os impactos hormonais são amplamente documentados, mas pouco incorporados às práticas de gestão, e que o modelo tradicional de produtividade linear contraria a fisiologia feminina. “A mulher não é instável, ela é cíclica. Quando ela entende isso, para de se culpar, e quando a empresa entende, deixa de perder performance por não saber ler o que é biologia.”

Este conteúdo foi elaborado com dados da assessoria de imprensa.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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