Atendimento odontológico para autistas ainda enfrenta desafios estruturais no Brasil

Consultórios precisam adaptar ambientes e práticas para melhorar cuidado a pacientes com TEA

O atendimento odontológico a pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) ainda apresenta importantes desafios no Brasil, que vão além da técnica clínica tradicional. Segundo dados do Censo 2022 do IBGE, cerca de 2,4 milhões de brasileiros são diagnosticados com autismo, o que representa 1,2% da população. Essa realidade reforça a necessidade urgente de adaptação dos consultórios odontológicos às demandas específicas desses pacientes.

Ambientes com luz intensa, ruídos constantes e estímulos imprevisíveis podem transformar uma consulta simples em uma experiência estressante para pessoas com TEA. O cirurgião-dentista Marcos Pereira Villa-Nova destaca que “o consultório tradicional não foi pensado para esse paciente. E quando não há adaptação, o que deveria ser um cuidado vira um evento de estresse.” Para ele, a mudança exige planejamento, ajuste do ambiente, tempo adequado para a consulta e, principalmente, compreensão das respostas individuais aos estímulos.

A psicóloga Edinalva Aparecida Alves reforça que o atendimento deve deixar de ser improvisado e seguir estratégias estruturadas, baseadas na Análise do Comportamento Aplicada (ABA). Ela explica que “a adaptação do atendimento odontológico ao paciente com TEA deve ser compreendida como um processo de manejo comportamental sistemático, no qual a modificação de antecedentes, o ensino de repertórios funcionais e o uso consistente de reforçamento positivo são fundamentais.” Entre as práticas recomendadas estão a dessensibilização gradual ao ambiente, o uso de histórias sociais, comunicação visual e treino prévio de habilidades, como abrir a boca sob comando.

Apesar desses avanços, a formação dos dentistas ainda carece de treinamento específico em manejo comportamental. Isso resulta em atendimentos pouco adaptados, uso excessivo de contenção ou sedação e baixa individualização do cuidado. Edinalva destaca que “a maior parte dos profissionais ainda atua sem protocolos estruturados. Falta conhecimento sobre reforçamento positivo, avaliação comportamental e adaptação sensorial. Isso aumenta comportamentos de fuga, resistência e até abandono do tratamento.”

Outro ponto crítico é a falta de integração entre os profissionais envolvidos no cuidado, como psicólogos, fonoaudiólogos e familiares. Marcos Pereira Villa-Nova comenta que “o atendimento, muitas vezes, ocorre de forma isolada, sem diálogo com psicólogos, fonoaudiólogos e a própria família, o que compromete a consistência das intervenções.”

Os especialistas concordam que a transformação do modelo de atendimento é essencial. O foco deve estar no paciente, respeitando seu comportamento, respostas sensoriais e tempo de adaptação. Com planejamento, previsibilidade e respeito às individualidades, o atendimento odontológico para pessoas com TEA pode deixar de ser um momento de estresse para se tornar uma experiência possível e progressivamente tolerável.

Conteúdo elaborado com dados da assessoria de imprensa.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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