Ácido hialurônico: a importância da estratégia para evitar seu papel de vilão nos procedimentos estéticos
O uso consciente e planejado do ácido hialurônico é fundamental para garantir resultados naturais e seguros, afastando mitos e complicações injustas
Hidratante e preenchedor, o ácido hialurônico tornou-se um dos mais populares procedimentos estéticos na luta contra o envelhecimento. Afinal, é uma substância que já existe em nosso organismo e possui a capacidade de reter água, lubrificando articulações e mantendo a pele firme.
Mas, nos últimos tempos, tem sido alvo de um “cancelamento” nas redes sociais, onde circulam vários relatos de complicações.
Essa má fama recente do ácido hialurônico é injustificada. Imagens de excesso de produto, provocadas muitas vezes por técnicas erradas, trazem apenas confusão sobre os procedimentos. Quando bem indicado e aplicado, o ácido hialurônico é um poderoso aliado, cientificamente comprovado, de quem busca prevenir os efeitos do envelhecimento facial. Ele está sendo julgado erroneamente, pelos erros de prescrição.
Uma das principais queixas é sobre o acúmulo de ácido, o que, no limite, chega a provocar deformações. Esse excesso é provocado principalmente por erros de abordagem: sobreposição de aplicações sem planejamento, retoque sobre retoque. Tem-se a impressão de que o ácido ficou intacto ali. Houve uma construção progressiva, mas sem estratégia.
Após a aplicação, o ácido hialurônico passa por um processo gradual de degradação enzimática e mecânica. Esse tempo varia conforme o produto, a reticulação, a região e o metabolismo individual. De forma geral, o ácido é reabsorvido. Em alguns casos, podem existir resíduos por mais tempo.
Nas redes sociais, essa dinâmica natural é tratada de forma reducionista. É comum lermos afirmações extremas, como “some em poucos meses” ou “fica para sempre”. Nenhum dos dois cenários representa bem a realidade clínica.
Esse excesso raramente acontece de uma única vez; é construído ao longo do tempo, quando não há planejamento no tratamento, ou mesmo quando o paciente busca profissionais diferentes a cada vez que decide fazer uma aplicação. Sem planejamento, cada intervenção parece pequena e justificada. Mas, somadas, podem levar a resultados artificializados. O problema não é o produto, mas a ausência de estratégia.
Além da busca de engajamento, há uma tentativa de correção de narrativa por trás dos comentários alarmistas sobre o ácido hialurônico nas redes sociais.
O uso dessa substância mudou a lógica do envelhecimento facial. Ela passou a ser utilizada não só para corrigir, mas para prevenir. Isso, na prática, reduziu a indicação de algumas cirurgias faciais ao longo do tempo. Assim, procedimentos injetáveis passaram a ser questionados com mais intensidade.
A banalização do uso do ácido hialurônico acarretou distorções perigosas, como a prática de aplicação de injetáveis a partir de uma formação superficial ou em cursos rápidos, o que não garante domínio técnico nem conhecimento aprofundado de anatomia facial.
O ácido hialurônico segue sendo uma excelente alternativa estética, segura e bem estabelecida na literatura. Mas exige critério, experiência e responsabilidade.
O ácido hialurônico é só a ferramenta. O que vai diferenciar é quem está manuseando a ferramenta. A recomendação é buscar sempre um profissional qualificado, não apenas para a aplicação, mas também para o planejamento do tratamento, trazendo ao paciente toda a segurança que ele necessita.
Por Jennifer Pinheiro
especialista em harmonização orofacial, Curitiba
Artigo de opinião



