O Prazer do Medo: Por que Nos Fascina Ler o Que Nos Assusta

A química da surpresa e o medo controlado que nos prende às páginas do suspense e do terror

Por que sentimos prazer em ler o que nos assusta? Podemos explicar esse fenômeno por meio da obra de autores como Freida McFaddenn, que manteve uma de suas obras por semanas em primeiro lugar de vendas. Suas histórias não são exatamente assustadoras, mas as reviravoltas surpreendentes provocam aquela adrenalina típica do medo, mantendo o leitor grudado nos capítulos.

No livro “A Empregada”, que já foi adaptado para as telas, a protagonista ganha volumes sequenciais — “O Segredo da Empregada” e “A Empregada Está de Olho” — transformando-se quase em uma heroína. O prazer da leitura desses livros está na química da surpresa.

Stephen King é um mestre do sobrenatural. Quase todos os seus livros foram adaptados para o cinema e tiveram grande sucesso tanto nas bilheterias quanto nas livrarias. “O Iluminado” é um dos maiores exemplos de horror psicológico, adaptado para o cinema em 1980 por Stanley Kubrick. King, porém, não gostou da forma como o diretor retratou o protagonista, mostrando-o como um monstro logo no início, o que perdeu a construção gradual do medo presente no livro.

“Carrie, a Estranha” (1974), adaptado em 1976 por Brian De Palma, é um clássico absoluto que aborda bullying, exclusão, raiva e vingança de maneira aterrorizante. Já “It – A Coisa”, adaptado em 2017 e 2019, explora o terror da infância que carregamos na vida adulta, com o icônico palhaço Pennywise.

Para quem conhece Stephen King apenas como mestre do terror, pode surpreender saber que ele também é autor de obras como “À Espera de um Milagre”, que foge do gênero terror.

Se Stephen King construiu a casa do terror, Raphael Montes foi quem abriu as portas aqui no Brasil. O autor brasileiro contemporâneo tem uma literatura de suspense impecável, com várias obras adaptadas para as telas. Quem assistiu à série “Bom Dia, Verônica”, com duas temporadas na Netflix, ou ao filme “Família Feliz”, conhece seu trabalho. Recomendo especialmente o livro “A Mulher no Escuro”, uma leitura rápida que prende o leitor e pode facilmente roubar uma noite inteira de sono.

Mas, afinal, por que gostamos tanto desse tipo de literatura? A resposta está na leitura rápida, no medo recreativo, no medo controlado. Ler histórias que nos assustam nos permite experimentar a adrenalina do medo em um ambiente seguro, onde podemos controlar o ritmo e a intensidade dessa emoção. É um prazer paradoxal: buscamos o medo para sentir a emoção, mas sabemos que estamos protegidos, o que torna essa experiência viciante e fascinante.

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Por Daisy Gouveia

Usa as redes sociais para incentivar a leitura, 35 anos de experiência na área da moda, autora do livro 'Costurando Minha História'

Artigo de opinião

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