Miopia em jovens cresce e aumenta procura por cirurgia refrativa no Brasil
Estudo revela que 40% dos casos de miopia concentram-se entre 20 e 30 anos, impulsionando tratamentos modernos
A miopia em jovens tem impulsionado a busca por cirurgia refrativa no Brasil, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Atualmente, o país contabiliza 31,8 milhões de pessoas míopes, com 40% dos casos concentrados na faixa etária entre 20 e 30 anos. Essa mudança silenciosa indica que a condição começa cada vez mais cedo, impactando a qualidade de vida e produtividade dos jovens.
O oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, diretor executivo do Instituto Penido Burnier de Campinas e membro da Associação Brasileira de Catarata e Cirurgia Refrativa (ABCCR), explica que “entre jovens a condição deixa de ser apenas biológica. Passa a impactar na produtividade, mobilidade e qualidade de vida”. Ele destaca que a procura pela cirurgia refrativa cresce especialmente entre pessoas de 25 a 35 anos, faixa em que o grau da miopia costuma estar estabilizado. Além disso, “muitos jovens, especialmente as mulheres, 3 em cada 10, não gostam de usar óculos e uma parcela importante não se adapta às lentes de contato”.
Para quem tem receio do procedimento, o estudo PROWL, conduzido pelo FDA (agência americana similar à ANVISA), NEI e Departamento de Defesa dos EUA, comprova a segurança e satisfação da cirurgia. O levantamento mostrou que menos de 1% dos pacientes tiveram dificuldades nas atividades habituais e mais de 95% ficaram satisfeitos com a visão após o procedimento.
Quanto às técnicas, Queiroz Neto afirma que “a melhor técnica cirúrgica é a que mais se adapta à espessura da córnea, condições do filme lacrimal, grau da miopia e estilo de vida de cada paciente”. Para pessoas com córnea fina ou que praticam esportes de alto impacto, a PRK é recomendada, pois consiste em raspar o epitélio da córnea, que se regenera em 48 a 72 horas, embora a recuperação seja mais lenta. Já as técnicas Lasik e Intralase remodelam a córnea com laser; a diferença está no tipo de corte, manual no Lasik e a laser de femtosegundo no Intralase, que oferece maior precisão.
Para casos de altos graus de miopia, córneas finas ou deficiência na produção lacrimal, o implante de ICL (microlente entre a íris e o cristalino) é indicado. Essa técnica também corrige astigmatismo associado à hereditariedade ou deformações da córnea causadas por hábitos como coçar os olhos. Contudo, a ICL não é recomendada para hipermetropia devido ao risco de glaucoma.
O aumento da miopia também levou ao desenvolvimento de lentes de contato e óculos específicos para controlar o crescimento do olho, como lentes de desfoque periférico, lentes com foco central menor e lentes multifocais. Essas terapias são frequentemente combinadas para atender às necessidades individuais.
Na prevenção, Queiroz Neto alerta que “a alta miopia estica e fragiliza a retina”, podendo causar rupturas e perda da visão. Ele destaca que apenas 30% dos casos são genéticos, enquanto o principal fator na infância é o excesso de uso de telas, evidenciado em estudos realizados durante a pandemia de Covid-19. A Academia Americana de Oftalmologia recomenda duas horas diárias de atividades ao ar livre para estimular a produção de dopamina, que inibe o crescimento do olho. Além disso, uma alimentação equilibrada, evitando açúcar e ultraprocessados, é fundamental, enquanto a dieta mediterrânea melhora a circulação ocular e a resistência da esclera.
Por fim, sinais como “enxergar inúmeras moscas volantes, flashes de luz e perda súbita da visão” são indicativos de emergência oftalmológica em pacientes com alta miopia. “Para viver melhor é preciso ver”, conclui o especialista.
Conteúdo elaborado com dados da assessoria de imprensa.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



