Novo livro revela como a água inspira a poesia brasileira contemporânea
Júlia Vita une teoria literária, feminismo e crítica ambiental em análise inédita
O livro “Rítmica marítima: água como matéria para a escrita de poemas”, lançado pela Sophia Editora, é uma obra que une teoria literária, crítica ambiental e feminismo para explorar a presença contínua da água na poesia brasileira contemporânea. Escrito pela poeta e pesquisadora Júlia Vita, o trabalho resulta de sua dissertação de mestrado em Estudos Contemporâneos das Artes pela UFF e analisa mais de 40 poetas, com destaque para autoras femininas.
A publicação propõe uma reflexão inovadora sobre como o elemento aquático influencia a fundação do ritmo poético. Conforme destaca a escritora Mar Becker no texto da quarta capa, “com sensibilidade rara e uma atenção que opera com exuberância nos escoamentos da matéria água entre teoria e poesia, Júlia Vita nos oferece, com ‘Rítmica marítima’, um trabalho poderoso — aporte bibliográfico tanto para poetas e escritores quanto para pesquisadores.”
O livro está estruturado em três eixos principais. Primeiro, examina a origem do conceito de ritmo, desde sua associação mítica ao fluir das águas até as reformulações linguísticas modernas. Júlia Vita comenta que “aprofundando na etimologia da palavra ‘ritmo’, que me fez encontrar e reencontrar a água diversas vezes, não demorei a descobrir que havia uma refutação linguística que colocava em xeque a explicação do termo ter derivado do ‘fluir’ das ondas.”
No segundo eixo, a autora aproxima o pensamento de Octavio Paz e Gaston Bachelard para explorar como a respiração, o corpo e a voz dialogam com o movimento das águas. Ela cita Paz: “O poeta cria por analogia: a dinâmica móvel da linguagem permite ao poeta criar seu próprio universo rítmico, utilizando as mesmas potências universais de atração e repulsa.”
A terceira parte dedica-se à imaginação material bachelardiana, analisando as águas como produtoras de imagens poéticas. Júlia observa que “a água opera no mundo com uma função reflexiva distinta dos espelhos estáticos: as águas refletem o mundo devolvendo as imagens banhadas por elas.” Também discute como desastres ambientais recentes, como os rompimentos das barragens de Mariana e Brumadinho e vazamentos de óleo no litoral brasileiro, provocam quebras rítmicas na poesia.
Um diferencial da obra é o recorte de gênero, que privilegia poemas de autoria feminina e dialoga com o pensamento latino-americano que reivindica a natureza como sujeito de direitos. A autora afirma: “Amplio a compreensão do que se entende por sujeito, para abarcar também o próprio discurso poético da matéria aquática.”
Além de seu caráter teórico, “Rítmica marítima” funciona como uma antologia comentada da poesia brasileira contemporânea, incluindo nomes como Ana Cristina Cesar, Marília Garcia, Olga Savary e Prisca Agustoni. O lançamento acontecerá no dia 15 de abril de 2026, às 19h, na Livraria da Travessa, Botafogo, Rio de Janeiro, com bate-papo, leitura de poemas e sessão de autógrafos.
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