Saúde de pessoas trans exige cuidado individualizado além da identidade de gênero

Exames preventivos devem considerar órgãos presentes para garantir diagnóstico precoce

Apesar dos avanços em diversidade e inclusão, muitas pessoas trans ainda enfrentam barreiras no acesso aos serviços de saúde, o que pode levar à menor realização de exames preventivos e ao diagnóstico tardio de doenças. Segundo Larissa C. Welter, farmacêutica bioquímica e gestora do Sabin Diagnóstico e Saúde em Blumenau (SC), “mais do que garantir acesso, é fundamental compreender que o cuidado em saúde dessa população não se encerra com a transição de gênero”.

A especialista destaca que a transição, seja social, hormonal ou cirúrgica, é parte de um processo contínuo de cuidado que deve acompanhar a pessoa ao longo da vida. O acompanhamento adequado exige uma abordagem individualizada, alinhada aos princípios da medicina de precisão. “Não existem exames de homem trans ou de mulher trans. O que existe é um cuidado orientado por três eixos: os hormônios em uso, os órgãos que a pessoa possui e os riscos clínicos associados a cada contexto”, explica Larissa.

Na prática, isso significa que o plano de cuidado não deve ser definido apenas pela identidade de gênero, mas pela combinação entre características biológicas, histórico de saúde e intervenções realizadas. A terapia hormonal afirmativa de gênero, que pode incluir testosterona, estrogênio e bloqueadores hormonais, é um dos principais tratamentos e deve ser acompanhada por profissionais de saúde.

Os exames laboratoriais são essenciais para monitorar a segurança e eficácia da terapia hormonal. Além da dosagem hormonal, é importante avaliar hemograma, perfil lipídico, função hepática e renal, glicemia e, em alguns casos, níveis de prolactina. Por exemplo, pessoas em uso de testosterona devem ter atenção ao hematócrito para evitar riscos hematológicos.

Outro ponto fundamental é que os exames preventivos devem seguir a anatomia presente, não a identidade de gênero. Homens trans que mantêm colo do útero devem realizar rastreamento para câncer cervical, preferencialmente por teste de HPV ou Papanicolau. Mulheres trans com próstata devem fazer acompanhamento conforme as diretrizes para essa glândula. Essa lógica também se aplica à avaliação do tecido mamário, rastreamento de infecções sexualmente transmissíveis e monitoramento cardiovascular.

Além dos aspectos clínicos, o acolhimento é parte importante do cuidado. O uso do nome social, respeito à identidade de gênero e escuta qualificada são determinantes para que pessoas trans se sintam seguras para buscar e manter acompanhamento médico. No Sabin, “cada história é respeitada em sua totalidade”, assegura Larissa, destacando que a atualização do nome social nos registros preserva o histórico de exames e reforça o compromisso com respeito e dignidade.

Este conteúdo foi elaborado com dados da assessoria de imprensa do Grupo Sabin.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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