Gilead recusa vender medicamento inovador para prevenção do HIV à MSF

Organização alerta para impacto da falta de acesso ao lenacapavir em populações vulneráveis

A farmacêutica norte-americana Gilead Sciences se recusou a vender diretamente à organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) o lenacapavir, um medicamento inovador para a prevenção do HIV. Em carta aberta enviada nesta segunda-feira, 30 de março, MSF apelou para que a empresa amplie o acesso ao lenacapavir, que representa um dos avanços mais importantes na prevenção do HIV em décadas.

Cerca de 1,3 milhão de pessoas são infectadas anualmente pelo HIV no mundo, o que reforça a necessidade urgente de ampliar o acesso a ferramentas eficazes de prevenção, como os medicamentos de profilaxia pré-exposição (PrEP) de longa duração. O lenacapavir é administrado apenas duas vezes por ano por meio de injeção, facilitando a adesão ao tratamento, especialmente em populações-chave vulneráveis atendidas pela MSF, como homens que fazem sexo com homens, pessoas transgênero e profissionais do sexo, além de atuar em contextos de conflito e ambientes frágeis.

Apesar de declarações públicas da Gilead afirmando capacidade para ampliar a produção do lenacapavir, a empresa negou o pedido da MSF para compra de uma quantidade limitada do medicamento para seus programas. Até o momento, apenas um pequeno número de países recebeu doses do lenacapavir, enquanto milhões permanecem em risco.

A Gilead firmou um acordo com o Fundo Global que limita a oferta do medicamento a 18 países elegíveis, com preços reduzidos, mas insuficientes para atender à demanda global. Muitos países onde a MSF atua não são elegíveis para receber doses pelo Fundo Global, devido a restrições impostas pela própria farmacêutica. A MSF destaca que “impedir que organizações humanitárias tenham acesso a um avanço médico coloca pessoas vulneráveis em perigo”, conforme afirma o Dr. Tom Ellman, diretor da Unidade Médica da África Austral (SAMU) da MSF.

No Brasil, embora a MSF não tenha projetos relacionados ao HIV, considera importante que o lenacapavir esteja disponível para as populações que dele necessitam. O medicamento foi aprovado pela Anvisa em janeiro de 2026, mas ainda não está disponível no país. O Brasil, assim como a maioria dos países latino-americanos e de renda média, foi excluído do acordo do Fundo Global. A adoção do lenacapavir pelo Sistema Único de Saúde (SUS) enfrenta barreiras devido ao alto preço cobrado pela Gilead, que nos Estados Unidos chega a US$ 28 mil anuais (aproximadamente R$ 150 mil). Em contraste, versões genéricas produzidas na Índia podem custar cerca de US$ 40 (R$ 200).

Diante desse cenário, a MSF solicitou uma reunião urgente com a Gilead até 13 de abril para que a empresa reconsidere a decisão de não vender o lenacapavir diretamente, negocie preços e informe quando o fornecimento poderá começar. O conteúdo foi elaborado com dados da assessoria de imprensa.

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EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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