Comunicação sexista nas empresas: como identificar e transformar o vocabulário corporativo
Expressões machistas ainda impactam o ambiente de trabalho; veja alternativas para uma comunicação inclusiva
Mesmo com avanços nas discussões sobre diversidade e equidade de gênero, a linguagem usada nas empresas ainda reproduz expressões machistas que reforçam estereótipos e desigualdades. Segundo pesquisa feita pela Skol em parceria com o Ibope, 66% dos homens e 57% das mulheres já usaram frases sexistas no cotidiano. A frase “Mulher tem de se dar ao respeito” foi a mais citada, evidenciando o quanto esse tipo de expressão permanece presente, inclusive no ambiente corporativo.
No trabalho, comentários como “Você está de TPM?”, “Não vai começar a chorar, hein?” ou “A maternidade atrasa a carreira” aparecem em reuniões, feedbacks e conversas informais, muitas vezes sem que sejam percebidos como problemáticos. A jornalista e especialista em comunicação Isabella Saes destaca que “a linguagem molda comportamentos. Quando uma empresa normaliza determinadas frases, ela também legitima ideias que podem causar desconfortos, limitar o desenvolvimento profissional das mulheres e impactar a cultura organizacional”.
A comunicação interna é fundamental para a construção de uma cultura organizacional inclusiva. Expressões carregadas de estereótipos podem gerar constrangimento, reduzir a participação em reuniões e até afastar talentos. Estudos indicam que empresas com maior diversidade de gênero têm 25% mais chances de alcançar desempenho financeiro acima da média do setor, segundo o relatório Diversity Wins, da McKinsey.
Isabella Saes aponta cinco frases comuns que merecem atenção e suas alternativas para promover uma comunicação mais respeitosa e produtiva:
1. “Você está de TPM?” – associa emoção feminina à instabilidade. Alternativa: focar no comportamento específico, por exemplo, “Percebo que esse ponto gerou incômodo — podemos aprofundar?”
2. “Não vai começar a chorar, hein?” – deslegitima emoções e reforça estereótipos. Alternativa: “Se precisar de um momento, podemos pausar e retomar.”
3. “A maternidade atrasa a carreira” – associa maternidade à menor produtividade. Alternativa: “Vamos alinhar juntos um plano de desenvolvimento que funcione para você.”
4. “Isso é coisa de mulher” – limita habilidades por gênero. Alternativa: “Quem tem interesse ou experiência nesse tema pode assumir?”
5. “Você é muito sensível” – desqualifica posicionamentos. Alternativa: “Quais aspectos você considera mais críticos nessa situação?”
Essas mudanças não são apenas uma questão de cuidado com a linguagem, mas uma estratégia para criar equipes mais engajadas e colaborativas. No Mês da Mulher, o debate sobre comunicação corporativa ganha força, reforçando a importância de revisar o vocabulário para promover igualdade e inclusão. Dados do IBGE indicam que mulheres ainda recebem cerca de 78% do rendimento dos homens no Brasil, cenário influenciado por vieses inconscientes presentes na linguagem e comportamento.
Para revisar a comunicação interna, as empresas podem adotar medidas práticas como: treinar lideranças para comunicação inclusiva, incluir o tema nas políticas organizacionais, estimular feedbacks respeitosos, criar canais para reportar situações desconfortáveis e promover debates sobre diversidade e linguagem. Como conclui Isabella Saes, “a mudança começa com consciência. Pequenos ajustes na forma de falar podem gerar grandes transformações na forma como as pessoas se sentem dentro das empresas”.
Conteúdo elaborado com dados da assessoria de imprensa.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



