Cirurgião plástico da SBCP é preso por usar silicone industrial em pacientes
Médico aplicava substância proibida, enganando pacientes com produto falsificado
Na última terça-feira, 24 de março, o cirurgião plástico João Fernando dos Santos Mello, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), foi preso em flagrante em Porto Alegre por suspeita de aplicar silicone industrial em pacientes. O médico alegava utilizar PMMA da marca Linnea Safe, produto regularizado pela Anvisa, mas na verdade aplicava substância proibida para uso humano, o silicone industrial.
Pacientes que passaram pelo procedimento, como Jessica e Cecília — nomes fictícios para preservar suas identidades — relataram terem sido enganadas. Jessica, de 27 anos, procurou o cirurgião para uma bioplastia glútea, confiando no produto anunciado. Durante a aplicação, percebeu que a cor do material era diferente e pediu para interromper o procedimento, mas o médico insistiu em continuar. Dias depois, exames indicaram a presença de silicone industrial em seu corpo, substância associada a complicações graves. Ela desenvolveu manchas vermelhas e precisou de atendimento médico, além de mudar sua rotina por medo da migração do produto.
Cecília teve experiência semelhante. Ela escolheu o médico por sua qualificação e associação à SBCP, confiando que o produto seria seguro. Após o procedimento, sentiu mal-estar e deformidades na região tratada. Exames confirmaram que o material aplicado não era o PMMA prometido, mas sim silicone industrial.
Durante a fiscalização na clínica do cirurgião, foram apreendidos produtos clandestinos com embalagens e rótulos falsificados da marca Linnea Safe. A equipe encontrou até cola de secagem instantânea, também imprópria para uso humano, reforçando a suspeita de fraude.
A Anvisa alerta que o silicone industrial é destinado a usos mecânicos, como impermeabilização, e não pode ser aplicado em seres humanos devido aos riscos de inflamações graves, necrose, deformidades, embolia pulmonar e morte. Apesar disso, o mercado clandestino ainda utiliza essa substância em procedimentos estéticos.
O advogado Nelson Albino Neto, representante da fabricante do Linnea Safe, destacou que a segurança nos procedimentos depende da combinação de produtos adequados e profissionais capacitados. Ele ressaltou que a falta de ética e qualificação profissional é uma das principais causas de complicações, já que a decisão de usar produtos clandestinos é sempre do aplicador. Segundo ele, “ao usar o nome Linnea Safe para encobrir o uso de silicone industrial ou de misturas não declaradas, o médico desloca a culpa para o produto regular e oculta o papel central da conduta profissional ilícita”.
Jessica e Cecília reforçam que não buscaram procedimentos baratos ou clandestinos, mas confiaram em um cirurgião plástico com título e filiação à SBCP. O caso evidencia a vulnerabilidade das pacientes diante de fraudes e a importância de fiscalização rigorosa para garantir a segurança em procedimentos estéticos.
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Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



