Crise financeira atinge primeiro o bolso feminino e aumenta inadimplência

Mulheres lideram dívidas no Brasil devido à desigualdade salarial e maiores responsabilidades domésticas

A crise econômica no Brasil tem um impacto diferenciado no bolso feminino, que sente primeiro as dificuldades financeiras. Segundo levantamento da CNDL e do SPC Brasil, as mulheres representam 51,35% dos consumidores negativados, superando os homens, que somam 48,65%. Esse cenário não decorre de um consumo excessivo, mas da maior responsabilidade feminina na gestão das finanças domésticas e da desigualdade de renda.

Embora as mulheres ocupem um espaço crescente no mercado de trabalho, elas ainda recebem, em média, menos que os homens, o que limita sua capacidade de absorver choques financeiros sem recorrer ao crédito. Dados do estudo “Oldiversity”, da Croma Consultoria, indicam que 82% das mulheres e 66% dos homens reconhecem que homens recebem mais mesmo em cargos iguais.

O perfil do endividamento feminino está mais associado a despesas essenciais do dia a dia, como alimentação, moradia, educação e saúde, do que a financiamentos de maior porte. As dívidas concentram-se principalmente em cartão de crédito, empréstimos e contas básicas, evidenciando o uso do crédito como ferramenta para equilibrar o orçamento doméstico.

Essa realidade é mais intensa na faixa etária entre 30 e 49 anos, quando as responsabilidades familiares e dependentes financeiros são maiores. Regiões com menor renda média, como o Nordeste e parte do Norte, apresentam maior uso do crédito para cobrir despesas básicas, agravado pela maior presença de mulheres chefes de família.

Para Edmar Bulla, fundador da Croma, o reconhecimento da desigualdade salarial é o primeiro passo para um mercado de trabalho mais justo. Ele destaca a necessidade de políticas de equidade salarial transparentes, programas de desenvolvimento de carreira igualitários e campanhas que valorizem competências de forma justa.

Patrick Santos, economista da Multimarcas Consórcios, reforça que juros elevados, inflação persistente e informalidade reduzem a margem de negociação das famílias, especialmente as de menor renda. Ele alerta que o atraso em contas básicas reflete um desequilíbrio estrutural entre renda, custo dos serviços essenciais e condições de pagamento, e que sem medidas eficazes a inadimplência tende a se prolongar.

Apesar dos desafios, estudos indicam que as mulheres mantêm maior compromisso com a regularização das dívidas, renegociando com mais frequência e priorizando a quitação, o que desmonta o mito do descontrole financeiro. O endividamento feminino é, portanto, um reflexo direto da desigualdade econômica e das maiores responsabilidades domésticas, onde o crédito deixa de ser opção e torna-se necessidade para fechar o mês.

Conteúdo elaborado com dados da assessoria de imprensa.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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