Turismo Autêntico: A Nova Era das Experiências que Vão Além do Feed
Como a busca por significado e imersão cultural está transformando o conceito de viajar bem em 2026
O turismo internacional atravessa uma nova fase marcada por mudanças no comportamento do consumidor. Levantamento do Traveller Value Index 2025, da Expedia Group, mostra que 88% das pessoas pretendem fazer ao menos uma viagem de lazer nos próximos 12 meses. Ao mesmo tempo, 63% afirmam que querem visitar destinos menos conhecidos, evitando lugares excessivamente populares. A mudança indica uma transição do turismo focado em pontos turísticos icônicos e registros nas redes sociais para experiências mais autênticas e alinhadas ao estilo de vida de quem viaja.
A empresária e idealizadora do perfil no Instagram Mala Vermelha pelo Mundo, Carmita Ribeiro, com passagens por mais de 65 países, observa essa transformação a partir da própria experiência acumulada ao longo de décadas de viagens internacionais. “A viagem que mais transforma raramente é a que aparece no feed. Quando o viajante amadurece, ele passa a valorizar o que vive de fato, não apenas o que pode mostrar”, afirma. Com repertório construído em campo, ela acompanha o surgimento de um público mais atento ao contexto cultural, à gastronomia local e ao ritmo real dos destinos.
Segundo Carmita, a saturação visual provocada pelas redes sociais também contribuiu para essa mudança. Destinos fotografados sob os mesmos ângulos e repetidos em milhares de publicações acabam gerando fadiga entre viajantes mais experientes. “Existe uma diferença grande entre conhecer um lugar e reproduzir um roteiro que já circula na internet. Quem viaja com mais frequência começa a procurar silêncio, cultura e experiências que não dependem de registro digital”, diz.
A transformação também aparece no consumo de alto padrão. Relatório Global Luxury Study 2025, produzido pela consultoria Bain & Company em parceria com a Altagamma, aponta que consumidores de luxo estão migrando progressivamente do consumo de bens materiais para experiências, especialmente viagens e eventos exclusivos. Esse movimento reforça a ideia de que o valor percebido da viagem está cada vez mais ligado à profundidade da experiência e não à exibição social.
Para a viajante, essa mudança redefine o significado de viajar bem. “Viajar deixou de ser uma prova de status. Hoje o luxo está no tempo bem usado, na escolha consciente do destino e na possibilidade de viver o lugar com presença”, afirma. Na prática, isso significa trocar roteiros acelerados por experiências mais profundas, que incluem gastronomia local, contato com moradores e exploração cultural fora dos circuitos tradicionais.
Nesse contexto, as viagens que “não aparecem no feed” ganham relevância, priorizando pequenas cidades e rotas culturais fora do circuito tradicional. De acordo com a especialista em turismo, esse movimento indica uma maturidade do turismo contemporâneo e uma mudança na relação com o consumo: em vez de acumular destinos para cumprir listas ou tendências digitais, busca-se ampliar o repertório cultural. “O viajante começa a perceber que não precisa ver tudo; ele precisa viver bem aquilo que escolheu ver. A viagem começa a ser menos sobre mostrar e mais sobre viver”, afirma.
Esse movimento aponta para um turismo mais consciente e menos orientado por performance digital. Ao priorizar vivências culturais, autonomia e profundidade, viajantes experientes redefinem o que significa viajar bem. Assim, a jornada deixa de ser apenas um deslocamento geográfico para se transformar em um investimento real em memória, repertório e qualidade de vida.
Por Carmita Ribeiro
Administradora de empresas, empresária, idealizadora do perfil do Instagram Mala Vermelha pelo Mundo, com experiência em turismo de alto padrão e produção de conteúdo editorial autoral baseada em vivências próprias.
Artigo de opinião



