Alzheimer no Brasil: 56,2 milhões de atendimentos em um ano pelo SUS

Crescimento dos casos reforça importância do planejamento antecipado e autonomia dos pacientes

O avanço da doença de Alzheimer no Brasil tem chamado atenção para a crescente demanda por cuidados especializados. Dados do Ministério da Saúde indicam que, em 2025, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou 56,2 milhões de atendimentos ambulatoriais relacionados ao Alzheimer. Esses números incluem atendimentos e internações, não representando o total de pacientes, já que um mesmo indivíduo pode utilizar o serviço diversas vezes. Além disso, foram registrados preliminarmente cerca de 30,4 mil óbitos associados à doença no país.

Com o envelhecimento acelerado da população brasileira, o número de pessoas com demência tende a crescer significativamente. Estima-se que atualmente 8,5% da população com 60 anos ou mais conviva com algum tipo de demência, o que corresponde a aproximadamente 1,8 milhão de pessoas. Projeções indicam que esse número poderá chegar a 5,7 milhões até 2050, impulsionado pelo aumento da expectativa de vida e pela transição demográfica.

A doutoranda em Bioética e Direitos Humanos pela Universidade de Brasília, Nelma Melgaço, destaca que “o avanço das demências, especialmente da doença de Alzheimer, tornou-se um dos principais desafios de saúde pública no Brasil e no mundo”. Ela ressalta a importância de discutir o planejamento antecipado dos cuidados para preservar a autonomia dos pacientes. “Por este motivo, é importante discutirmos sobre cuidados e as preferências pessoais o mais cedo possível, enquanto o paciente ainda possui capacidade de expressar seus valores e desejos”, alerta.

Uma das estratégias recomendadas é a elaboração do “Plano Avançado de Cuidado” (PAC), que permite ao paciente registrar previamente suas preferências sobre tratamentos e cuidados futuros. Segundo Nelma, “a proposta é garantir que, mesmo quando a doença comprometer a capacidade de decisão, as escolhas e os valores do paciente continuem sendo respeitados”. Esse planejamento é fundamental, pois a doença neurodegenerativa afeta progressivamente funções cognitivas, motoras e comportamentais, reduzindo gradualmente a autonomia do indivíduo.

O SUS oferece assistência gratuita e integral às pessoas com Alzheimer, com foco na estabilização do declínio cognitivo, melhoria da qualidade de vida e acompanhamento contínuo de pacientes e cuidadores. O tratamento inclui medicamentos e terapias complementares, como estimulação cognitiva, fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia e suporte psicossocial.

A especialista também chama atenção para os desafios éticos envolvidos na tomada de decisões médicas, especialmente quando o paciente perde a capacidade de decidir e familiares assumem esse papel, o que pode gerar conflitos. “Quando o paciente perde totalmente a capacidade de decidir, outra pessoa passa a assumir esse papel. Isso pode ser extremamente problemático em casos de sintomas cognitivos flutuantes”, explica.

Por fim, Nelma reforça a necessidade de garantir que pessoas com deficiências cognitivas e neurodegenerativas possam escolher como desejam viver e ser cuidadas enquanto ainda têm condições de expressar suas vontades. O planejamento antecipado e o PAC são ferramentas essenciais para respeitar a autonomia e os direitos dessas pessoas ao longo do curso da doença.

Este conteúdo foi elaborado com dados da assessoria de imprensa.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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