Estudo da Unesp reduz sepse tardia em prematuros nas UTIs neonatais
Projeto com medidas simples e de baixo custo diminui mortalidade em bebês de muito baixo peso
Um estudo coordenado por pesquisadoras da Unesp revelou avanços importantes na redução da mortalidade em unidades de terapia intensiva neonatal (UTIs neonatais). A pesquisa, realizada entre 2021 e 2023, mostrou que a adoção de medidas simples e de baixo custo diminuiu em 18,5% a incidência de sepse tardia em recém-nascidos prematuros de muito baixo peso atendidos em centros conveniados à Rede Brasileira de Pesquisas Neonatais.
A sepse tardia, uma infecção associada a fatores ambientais, é uma das principais causas de morte entre bebês que nascem com menos de 1.500 gramas. Esses prematuros possuem o sistema imunológico ainda imaturo e dependem de dispositivos como ventilação mecânica e cateter venoso central para sobrevivência, o que aumenta sua vulnerabilidade a infecções.
Desde 1997, a Rede Brasileira de Pesquisas Neonatais reúne centros universitários para coletar dados e desenvolver estratégias que melhorem o atendimento a esses bebês. Em 2020, diante do aumento da incidência de sepse tardia, um grupo de trabalho liderado pelas docentes Ligia Maria Suppo de Souza Rugolo e Maria Regina Bentlin, da Faculdade de Medicina da Unesp em Botucatu, coordenou o Projeto “DownLOS” para enfrentar esse desafio.
O projeto envolveu 12 centros e propôs mudanças que resultaram em redução de sepse tardia em 67% das unidades participantes. Entre as práticas adotadas estavam a suspensão do uso precoce de antibióticos em bebês sem infecção, a diminuição das complicações relacionadas ao cateter venoso central e o início da alimentação com leite materno nas primeiras 24 horas de vida.
Segundo Maria Regina Bentlin, “usar antibiótico precocemente em recém-nascidos prematuros leva a uma disbiose, ou seja, causa alterações na flora intestinal e favorece infecções. Percebemos que esse era um ponto muito sensível na Rede”. Ela também destaca a importância da alimentação: “Alimentar o bebê com o leite da mãe precocemente é a melhor estratégia. E a gente percebeu que havia um atraso nos nossos centros. Quando eu priorizo a nutrição a partir do leite materno, eu também consigo remover mais cedo o catéter vascular e reduzir suas complicações”.
Foram incluídos no estudo 1.993 recém-nascidos prematuros com idade gestacional entre 22 e 36 semanas, internados por mais de 72 horas. As metas estabelecidas para os centros incluíam a retirada rápida dos cateteres, suspensão dos antibióticos em até 48 horas nos casos sem infecção e alimentação completa com leite materno até o décimo primeiro dia de vida.
Ligia Rugolo ressalta que o sucesso do projeto se deveu à adaptação das metas à realidade de cada centro e ao diálogo constante entre equipe de pesquisa e unidades participantes. “Cada centro sabia a sua sigla, mas a gente podia discutir sem nenhum constrangimento. E essa troca de experiências foi muito enriquecedora”, afirma.
Este conteúdo foi elaborado com dados da assessoria de imprensa.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



