Bipartição intestinal avança no tratamento da obesidade grave e diabetes tipo 2

Técnica cirúrgica estimula hormônios e é indicada para casos complexos de controle metabólico

A bipartição intestinal surge como uma importante evolução no tratamento da obesidade grave e do diabetes tipo 2, especialmente em casos de difícil controle metabólico. Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 25% da população adulta brasileira vive com obesidade, e mais da metade está acima do peso. Esse cenário tem impulsionado o uso de medicamentos injetáveis, conhecidos como canetas emagrecedoras, que atuam regulando hormônios relacionados à saciedade e metabolismo.

No entanto, para pacientes com obesidade severa e diabetes resistente, a cirurgia de bipartição intestinal representa uma alternativa eficaz. De acordo com o cirurgião e nutrólogo Pedro Henrique Caron, do Hospital Angelina Caron (HAC), “é um procedimento que tem foco metabólico, especialmente no controle do diabetes tipo 2 e não apenas na perda de peso”. A cirurgia promove um desvio intestinal que aumenta a liberação natural de hormônios, com efeito semelhante ao das medicações, podendo inclusive ser associada a elas conforme decisão médica.

Existem três tipos principais da técnica desenvolvida pelo cirurgião Nilton Kawahara: a bipartição clássica, que retira cerca de 80% do estômago e conecta diretamente o estômago ao íleo, mantendo o trajeto natural do alimento; a bipartição duodenal, que conecta o duodeno; e a bipartição jejunal, criada em 2025, que realiza duas conexões no intestino, promovendo dupla estimulação ileal sem comunicação direta com estômago ou duodeno. Esta última reduz riscos de estenose, complicações gástricas e deficiências nutricionais, sendo indicada para pacientes preocupados com esses efeitos.

A cirurgia é recomendada para pessoas com diabetes tipo 2 de difícil controle, incluindo insulinodependentes, pacientes com complicações associadas como retinopatia e insuficiência renal, casos de superobesidade (IMC acima de 50) e para quem já passou por outras cirurgias bariátricas sem sucesso no controle do diabetes ou no emagrecimento. “A grande maioria dos pacientes que busca a bipartição está procurando melhora metabólica. É aquele paciente que já está cansado de usar muita medicação e de não conseguir controlar o açúcar no sangue”, destaca Caron.

Por ser um procedimento complexo, com duração de até três horas, a bipartição intestinal requer uma equipe altamente experiente em cirurgia bariátrica e no manejo clínico do diabetes. A cirurgia robótica é a tecnologia preferida, proporcionando maior precisão e recuperação mais confortável. O Hospital Angelina Caron é referência em cirurgia robótica no Paraná e participa de estudos multicêntricos para avaliar a técnica mais recente da bipartição jejunal.

Para o especialista, “o futuro do tratamento da obesidade passa pela integração entre terapias medicamentosas e cirúrgicas. Eu acredito que a metabólica é o futuro da bariátrica. Cada vez mais vamos buscar técnicas que tratem o diabetes tipo 2 de forma mais eficaz, com segurança e individualização”.

Conteúdo elaborado com dados da assessoria de imprensa.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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