Violência sexual na infância: trauma que pode durar décadas

Entenda como o abuso infantil impacta a saúde mental e a importância do afeto

O Brasil registrou 74.930 casos de estupro em 2022, o maior número da série histórica, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Destes, 61% das vítimas tinham até 13 anos, configurando estupro de vulnerável, e cerca de 70% dos crimes ocorreram dentro de casa, cometidos por pessoas próximas à família. Esses números evidenciam a proximidade da violência e a fragilidade das relações afetivas em que ela se insere.

Especialistas alertam que o impacto psíquico do abuso sexual na infância e adolescência muitas vezes só se torna claro anos depois. A psicanalista Camila Camaratta explica que “o trauma não se reduz ao acontecimento” e que ele se instala no que não pôde ser nomeado ou compreendido no momento do abuso. Muitas vítimas demoram a reconhecer o que sofreram, manifestando dúvidas ou estranhamento difuso, como quando uma adolescente relata que “acha” ter sido estuprada. Isso mostra que o psiquismo busca entender uma experiência que o excede.

Além do momento do abuso, o trauma pode reaparecer mais tarde em crises de angústia, dificuldades nas relações afetivas, conflitos com o próprio corpo e perturbações emocionais. A vivência precoce e abrupta de uma experiência sexual sem recursos simbólicos para elaborá-la pode deixar um núcleo estranho na vida psíquica, que só será acessado com o tempo.

Outro ponto importante é a influência das transformações culturais na sexualidade contemporânea. Hoje, o acesso precoce e quase ilimitado à pornografia digital expõe crianças e adolescentes a imagens que não estão preparados para compreender. “A sexualidade aparece primeiro como imagem, antes de aparecer como pergunta”, destaca Camila Camaratta. A pornografia frequentemente apresenta a sexualidade como performance ou exercício de poder, e não como experiência de reciprocidade, o que pode distorcer a percepção dos jovens.

Além disso, ambientes digitais e grupos extremistas, como a chamada “machosfera”, reforçam narrativas de dominação e competição entre gêneros, desumanizando o corpo feminino e favorecendo atitudes violentas. A juíza Vanessa Cavalieri observa que, mesmo em contextos socioeconômicos favorecidos, a violência pode ser uma forma trágica de expressar necessidades legítimas não atendidas, como o desejo de conexão e afeto.

Combater essa barbárie exige resgatar a alteridade e dar voz ao que foi silenciado pelo medo, além de fortalecer vínculos familiares e sociais. O trauma não determina necessariamente o destino psíquico da vítima, mas seu reconhecimento e tratamento são fundamentais para a recuperação.

Conteúdo elaborado com dados da assessoria de imprensa.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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