Novo manual da NR-1 reforça gestão de riscos psicossociais nas empresas
Atualização detalha prevenção e avaliação de saúde mental no ambiente de trabalho
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) lançou, em 16 de março de 2026, o novo Manual de Interpretação e Aplicação do Capítulo 1.5 da NR-1 – Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). Essa atualização traz orientações mais detalhadas para empresas e profissionais de Segurança e Saúde no Trabalho (SST) sobre a identificação, avaliação e prevenção dos riscos ocupacionais, com destaque para os riscos psicossociais relacionados ao trabalho.
O documento consolida os riscos psicossociais como parte formal do GRO, ao lado dos riscos físicos, químicos e ergonômicos, com vigência prevista para 26 de maio de 2026. Segundo o MTE, essa medida atende à demanda por diretrizes claras e práticas, reforçando que a prevenção do adoecimento mental é estratégica para a sustentabilidade econômica e social das organizações.
O médico-psicanalista e especialista em Ergonomia Mental, Dr. André Fusco, destaca que a nova NR-1 “representa um marco ao reconhecer oficialmente os riscos psicossociais e consolidar sua inclusão no escopo do GRO, reforçando o entendimento de que a saúde mental é parte indissociável da saúde ocupacional”. Ele explica que fatores como sobrecarga de trabalho, assédio, pressão por metas e falta de suporte organizacional devem ser tratados como riscos formais, passíveis de identificação, avaliação e controle estruturado.
A gestão desses riscos deve seguir o ciclo obrigatório do GRO e do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR): identificação dos fatores de risco, avaliação e classificação com base em probabilidade e severidade, e implementação de medidas preventivas com acompanhamento contínuo. O manual reforça que todos os riscos devem ser tratados de forma integrada, permitindo uma visão sistêmica.
A avaliação dos riscos psicossociais não exige uma metodologia específica, podendo ser qualitativa e participativa, integrada às avaliações ergonômicas. O Dr. André Fusco alerta que “instrumentos como SRQ-20, DASS, HSE-IT e COPSOQ são importantes e cientificamente validados, mas são apenas um ponto de partida”. Ele ressalta a necessidade de analisar a organização do trabalho real para evitar planos superficiais.
Além disso, o manual destaca a importância da criação de um ambiente de confiança e garantia de anonimato para evitar subnotificação. A participação ativa dos trabalhadores em todas as etapas é fundamental para a validade do processo, considerando o trabalho real, com suas adaptações e improvisações.
Outro ponto relevante é que os riscos psicossociais têm origem na organização do trabalho, como o desenho das tarefas, modelos de gestão e sistemas de avaliação. Isso desloca o foco de ações individuais para intervenções estruturais na organização.
O MTE recomenda uma abordagem multidisciplinar para a implementação do GRO, envolvendo SST, ergonomia, psicologia, medicina do trabalho e gestão organizacional. Segundo o Dr. Fusco, “sem integração entre áreas, as soluções ficam superficiais e não se sustentam”.
Por fim, o manual reforça a integração com a NR-17, que trata da ergonomia, orientando o uso da Avaliação Ergonômica Preliminar e da Análise Ergonômica do Trabalho para identificar e detalhar os riscos psicossociais no ambiente laboral.
Conteúdo elaborado com dados da assessoria de imprensa.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



