Março Amarelo destaca diagnóstico precoce da endometriose na adolescência
Avanços no tratamento pelo SUS ampliam opções para controle da doença
Março Amarelo é o mês dedicado a dar visibilidade à endometriose, uma condição que afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde, 190 milhões de mulheres e meninas vivem com essa doença, que ainda enfrenta desinformação e subdiagnóstico. No Brasil, dados do DATASUS indicam que, embora a maior concentração de internações ocorra entre mulheres de 30 a 49 anos, mais de mil internações foram registradas entre adolescentes de 10 a 19 anos na última década.
Esse dado reforça a necessidade de não naturalizar a dor menstrual incapacitante na juventude, mas sim investigar com seriedade e precocidade. O ginecologista Dr. Renilton Aires Lima, professor da Afya Ipatinga, explica que a endometriose pode começar na adolescência e, se não reconhecida, impacta a qualidade de vida, o bem-estar emocional e pode comprometer a fertilidade futura. Ele destaca que “diferente da cólica menstrual comum, que costuma responder a anti-inflamatórios e não interfere de forma importante na rotina diária, a endometriose precocemente pode provocar dor muito intensa, às vezes acompanhadas de alterações intestinais e/ou urinárias durante a menstruação que se não tratada tende a piorar com o passar do tempo e causar dor fora do período menstrual”.
A doença ocorre quando um tecido semelhante ao que reveste o interior do útero cresce fora dele, principalmente na pelve, causando inflamação persistente, dor intensa e, em alguns casos, dificuldade para engravidar. “Estudos mostram que a doença pode afetar significativamente a qualidade de vida, interferindo no trabalho, nos estudos, na vida sexual e na saúde emocional”, complementa o especialista.
Em 2025, o Ministério da Saúde incorporou ao Sistema Único de Saúde (SUS) novas opções de tratamento hormonal para endometriose, ampliando o acesso das pacientes a terapias eficazes. Entre as novidades estão o Dispositivo Intrauterino Liberador de Levonorgestrel (DIU-LNG), com validade de cinco anos, que suprime o crescimento do tecido endometrial fora do útero, e o desogestrel, medicamento oral que inibe a ovulação e suprime o ciclo menstrual.
A ginecologista Dra. Júlia Reis, professora da Afya Itajubá, explica que o DIU-LNG “atua localmente no útero, liberando um hormônio que reduz o espessamento do endométrio, diminui o fluxo menstrual e alivia a dor, além de ajudar a controlar os focos da doença”. Já o desogestrel age de forma sistêmica, contribuindo para a redução da dor pélvica, cólicas e sangramento intenso.
O SUS tem registrado aumento nos atendimentos relacionados à endometriose, com mais de 260 mil consultas e 85,5 mil internações entre 2023 e 2024, o que evidencia a urgência em ampliar o acesso a tratamentos atualizados. Os tratamentos geralmente começam com medicamentos hormonais orais, como desogestrel, dienogeste ou pílulas combinadas contínuas, e podem incluir o DIU com levonorgestrel e implantes subcutâneos. A cirurgia é indicada apenas em casos mais graves ou quando o tratamento clínico não é eficaz.
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