Entre a Admiração e a Inveja: Compreendendo a Síndrome de Procusto

Quando a inveja se disfarça de crítica e prejudica relações, é hora de entender os mecanismos por trás desse sentimento tão humano.

A inveja é natural do ser humano. Só não podemos permitir que ela guie nossa vida, nivele nossos desejos e relações e prejudique o outro. Mas e quando a inveja do outro chega até você disfarçada de crítica? Diferença castigada? Rejeição ao talento e sucesso do outro? Certamente, você já deve ter convivido com pessoas que, de alguma forma, não suportavam ver suas conquistas ou ver o seu destaque.

Esse tipo de comportamento, quando excessivo, pode indicar a manifestação da Síndrome de Procusto. Um tipo de transtorno psicológico e comportamental que atiça a raiva, a inveja, a insegurança e a baixa autoestima, por descontentamento com as conquistas alheias. Essa síndrome interfere nas relações sociais e afetivas, pois não permite que a conexão com o outro se dê de maneira saudável. Sempre que ocorre uma ascensão, uma vitória de alguém de seu convívio, a pessoa que sofre com a síndrome busca desqualificar, nivelar para baixo, ou até mesmo boicotar.

A identificação das ações de quem sofre com a síndrome passa por algumas observações de comportamento, por exemplo: inveja declarada ou velada; críticas sem fundamento; dificuldade ou ausência de elogios; expressão constante de raiva; tentativas de boicotar ou prejudicar; negação da opinião alheia; irritabilidade intensificada; aversão à competição; dificuldade de trabalhar ou interagir em grupo e a incapacidade de manejar suas expressões emocionais negativas.

As consequências da Síndrome de Procusto são devastadoras, tanto para quem sofre quanto para quem é a vítima de quem é afetado por essa condição clínica. O adoecimento psicológico provocado pela síndrome é inevitável e impede o indivíduo de seguir sua vida, pois a insegurança, desmotivação e invalidação própria tomam conta de seu emocional. Além disso, suas relações interpessoais ficam comprometidas, já que a convivência é permeada pela inveja e desejo de prejudicar quem se destaca de alguma forma.

Enquanto isso, a vítima do Procustiano vive em meio a um ambiente e uma atmosfera de perseguição, ataques e confusões.

A melhor forma de lidar com pessoas que sofrem com esse transtorno mental é evitar os conflitos e ter em mente que o comportamento desajustado fala mais da pessoa do que de si mesmo. Nada tem a ver com a vítima, mas sim com um desequilíbrio emocional que faz com que essa pessoa fique cega ao se perceber “inseguro” ou “incapaz” de reconhecer o valor do outro.

Isso acontece porque ele não vê seu próprio valor e, ao se deparar com “o melhor” do outro, seus gatilhos são acionados e a necessidade de desqualificar aflora, estimulando atitudes e sentimentos desconexos.

Por fim, se a situação fugir ao controle, o ideal é buscar uma rede de apoio para se proteger e mitigar os ataques.

Enfim, sentir inveja e raiva é natural. São sentimentos inerentes a todo ser humano. A questão é a intensidade desse sentir ou se esses sentimentos são utilizados para prejudicar o outro.

A Síndrome do Procusto é mais comum do que se imagina, por isso é fundamental compreender e nomear o que se sente, sem culpa, além de buscar apoio profissional para identificar as causas na tentativa de aprender a gerenciar as próprias emoções, transformar inveja em admiração, evitar as sabotagens e aprender a valorizar a diversidade e o talento alheio.

Afinal, esse padrão rígido e limitado de comportamento impede a leveza das relações humanas e cria fantasias de repressão que intensificam sentimentos limitantes e inadequados.

A

Por Andréa Ladislau

Psicanalista

Artigo de opinião

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