Livro “Candura” de Alice Puterman denuncia violência sexual e saúde mental
Obra poética revela trauma, resistência e reconstrução do corpo feminino após abuso
O livro “Candura”, lançado pela editora TAUP, marca a estreia da jovem autora Alice Puterman, que aos 23 anos revisita seis anos de escrita para construir uma obra poética visceral sobre violência sexual, saúde mental e resistência feminina. A publicação é um testemunho lírico da sobrevivência em meio ao aumento dos índices de estupro no Brasil.
Alice começa o livro afirmando no prefácio: “Não sei dizer onde a violência começa em minha vida, mas a violência que eu cometo à mim mesma termina com estas páginas”, estabelecendo um tom de honestidade e dor que permeia toda a obra. O processo criativo teve início aos 17 anos, após a autora sofrer um estupro coletivo. Durante a pandemia, sozinha, a escrita tornou-se uma ferramenta para elaborar o trauma e lidar com o diagnóstico de Transtorno de Estresse Pós-Traumático.
A autora explica que a intenção não era publicar, mas criar um espaço onde a dor pudesse existir: “Estupro é um assunto sobre o qual não se pode falar. Então, eu espero que meu livro seja esse lugar onde a dor de todas nós pode existir”. Em seus poemas, o corpo feminino é representado como um território violado, mas também como espaço de resistência. A metáfora da casa, presente ao longo do livro, simboliza o corpo que precisa ser redescoberto após a invasão: “A partir do momento que eu redecorar as paredes, a casa será outra / mas não é / é a mesma que eles arrombaram e depredaram”.
A poesia de Alice não se limita ao papel de vítima, mas busca expressar a força e a delicadeza das mulheres que resistem. No prefácio, ela afirma: “A força masculina de nada me interessa — violência. Quero falar de mulheres que levantam carros para salvar suas crias, as que por amor, dão e ganham vida”. O título “Candura” é explicado pela autora como a qualidade de ser “ingenuamente crente, amável, puro”, um traço que a sociedade ensina às mulheres como fraqueza, mas que ela reivindica como sua força.
Além da violência sexual, o livro aborda a saúde mental, incluindo tentativas de suicídio, internações e tratamentos como eletrochoques. Em um dos poemas finais, Alice escreve sobre a descoberta de uma forma de cura que integra as marcas do trauma: “Tentei / me matar / dez vezes / mas / tentei / viver / tao mais / e assim descobri / que estes ossos / brilham / como porcelana chinesa”.
Alice Monteiro Puterman, nascida em Petrópolis (RJ) em 2002, é autista e encontrou na escrita sua principal forma de expressão e resistência. “Candura” representa o fim de um ciclo de medo para a autora, que hoje se vê como sobrevivente e não mais vítima. O livro terá sessão de lançamento na Casa Gueto durante a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) em julho de 2026.
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