Março reforça debate sobre violência, saúde mental e sobrecarga feminina no trabalho
Dados e especialistas mostram impactos da desigualdade de gênero na vida e no ambiente corporativo
O mês de março, além de marcar o Dia Internacional da Mulher, amplia o debate sobre temas urgentes como violência contra mulheres, saúde mental e sobrecarga feminina no mercado de trabalho. Dados recentes evidenciam que esses desafios ultrapassam reflexões simbólicas, impactando diretamente a vida das mulheres e o funcionamento das organizações.
Em 2025, o Brasil registrou 1.470 feminicídios, uma média de quatro assassinatos diários, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública e o Ministério da Justiça. A maioria dos crimes ocorreu dentro da residência da vítima (64%) e cerca de 80% foram cometidos por parceiros ou ex-parceiros. No Rio Grande do Sul, 80 feminicídios foram contabilizados no mesmo período, com quase 70 mil Medidas Protetivas de Urgência encaminhadas ao Judiciário. A Secretaria da Segurança Pública do Estado reforçou a proteção às vítimas com operações policiais e a atuação da Patrulha Maria da Penha.
A psicanalista Camila Camaratta destaca que o feminicídio raramente é um ato isolado. “Na maioria dos casos, trata-se do desfecho de uma violência que já vinha se manifestando. A agressão não começa no último dia; ela se instala gradualmente, em dinâmicas de humilhação, intimidação e escalada de conflitos”, explica. Ela também ressalta que a expectativa de mudança do parceiro faz com que muitas mulheres permaneçam em relações violentas, mesmo diante da gravidade dos sinais.
No ambiente corporativo, a sobrecarga feminina é outro fator que afeta a saúde mental das mulheres. Dados do IBGE apontam que elas dedicam em média 21,3 horas semanais a afazeres domésticos e cuidados não remunerados, quase o dobro do tempo dedicado pelos homens. Essa dupla jornada contribui para maior incidência de afastamentos por transtornos como ansiedade e depressão, especialmente nas faixas economicamente ativas. O Ministério da Previdência Social registrou mais de meio milhão de benefícios concedidos por incapacidade temporária relacionada a transtornos mentais em 2025.
Flávio Lettieri, mentor de líderes e especialista em saúde emocional corporativa, afirma que “o risco psicossocial nasce da organização do trabalho”. Ele destaca que muitas empresas ainda tratam o tema como pauta de diversidade, sem integrar o debate à estratégia de risco corporativo. Isso resulta em afastamentos, conflitos e judicialização, elevando custos e riscos para as organizações.
Além disso, o Conselho Nacional de Justiça aponta crescimento nas ações trabalhistas envolvendo assédio moral e sexual, com recorte de gênero recorrente. A advogada Bruna Ribeiro reforça que “não basta reagir ao dano. A empresa precisa demonstrar que mapeia riscos, treina lideranças e cria barreiras institucionais de proteção”. A partir de 2026, fatores psicossociais passam a ser exigidos formalmente no gerenciamento de riscos ocupacionais, ampliando a importância da prevenção.
Março, portanto, é um momento para refletir sobre como a desigualdade estrutural afeta segurança, saúde mental e desempenho profissional das mulheres. O debate vai além de simbolismos e se torna um vetor estratégico para organizações que desejam proteger suas equipes e resultados. Como afirma Flávio Lettieri, “liderança responsável não é discurso, é método”.
Conteúdo elaborado com dados da assessoria de imprensa.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



