Networking de Verdade: Por Que Comunidades Valem Mais que a Troca de Cartões

Em um mercado saturado de contatos superficiais, construir relações genuínas em comunidades é o caminho para oportunidades reais e duradouras.

As conexões realmente fazem diferença na hora de crescer na carreira, mas talvez não da forma como muitos imaginam. O relatório da plataforma MyPerfectResume revela que 54% dos trabalhadores conseguiram um emprego por meio de uma conexão pessoal ou profissional em 2025. O dado reforça que oportunidades costumam surgir de relações construídas ao longo do tempo.

No entanto, é preciso entender a diferença entre relacionamentos e contatos. Ampliar a rede profissional não significa apenas acumular nomes e trocar cartões em eventos. Na prática, conexões que realmente geram oportunidades costumam surgir por meio de comunidades, ou seja, relações construídas com tempo, confiança e convivência.

Nos últimos anos, houve a banalização da palavra networking. Embora o termo tenha se popularizado no ambiente corporativo, a ideia de construir redes de apoio e cooperação é muito mais antiga. Ainda assim, diferente de encontros rápidos voltados à troca de contatos, essas estruturas se baseavam em relações duradouras, nas quais o senso de pertencimento e colaboração vinha antes de qualquer interesse imediato de negócio.

Nesse contexto, mais importante do que a simples troca de cartões é o fortalecimento de comunidades. Atividades compartilhadas, como práticas esportivas, grupos de interesse ou iniciativas culturais, costumam criar ambientes mais propícios para o surgimento de relações genuínas. Quando a convivência acontece de forma natural, o vínculo entre as pessoas se fortalece e, muitas vezes, parcerias e oportunidades profissionais surgem como consequência, mas não como objetivo imediato.

É importante falar isso porque muitos profissionais se sentem frustrados porque não conseguem investir tempo e dinheiro em eventos e iniciativas que prometem ampliar o networking, mas que na maioria das vezes geram apenas contatos superficiais e promessas de acompanhamento.

Não que convidar alguém para um café com a intenção de apresentar uma proposta de negócio seja um problema. A questão é que, em muitos casos, esses encontros são apresentados como oportunidades de relacionamento quando, na verdade, têm apenas o objetivo de consumar uma venda. Isso não significa fortalecer vínculos, mas sim adotar uma estratégia comercial, o que é legítimo, desde que essa intenção esteja clara desde o início.

Relacionamentos são importantes, sim. Por isso, ao invés de focar apenas em ampliar a lista de contatos, pode ser mais interessante frequentar ambientes que façam sentido para os próprios interesses. Atividades como esportes, grupos culturais ou hobbies compartilhados criam espaços de convivência mais espontâneos.

No meu caso, minha comunidade está no campo de golfe, em que as pessoas passam horas juntas no campo e, entre uma jogada e outra, as conversas avançam para indicações a partir de experiências reais e que realmente geram valor.

O mercado está carente de conexões genuínas e do verdadeiro espírito de comunidade.

M

Por Marco Antonio Casagrande

psicólogo comportamental, CMO e sócio-fundador da Escola Mira, especializado em Psicologia Comportamental, com mais de 15 anos de experiência em Recursos Humanos, possui MBAs e especializações pela Fundação Getúlio Vargas, participou de programas internacionais em Harvard, Stanford e MIT, autor do livro “Tem coisa mais importante do que o vestibular?”

Artigo de opinião

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