Reserva de emergência ainda é inacessível para a maioria das famílias brasileiras
Endividamento recorde e renda pressionada dificultam a organização financeira no Brasil
O Brasil terminou 2025 com um cenário preocupante para a organização financeira das famílias. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 76,6% das famílias brasileiras estavam endividadas, e 29% delas apresentavam contas em atraso. Paralelamente, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do IBGE apontou que o rendimento médio real habitual do trabalho foi de R$ 3.357 no terceiro trimestre do mesmo ano.
Esses dados ajudam a explicar por que a reserva de emergência ainda está fora do alcance da maioria dos brasileiros. Ricardo Hiraki, sócio-fundador da Plano Fintech e especialista em educação financeira, destaca que “o problema central não é apenas quanto se ganha, mas como se administra”. Ele reforça que a reserva de emergência é o primeiro passo para a organização financeira, pois “sem ela, qualquer imprevisto vira dependência de crédito caro”.
O impacto do endividamento elevado ultrapassa o ambiente doméstico. Empresas também sentem reflexos na inadimplência, na redução do consumo e até na produtividade interna. Hiraki explica que “colaboradores pressionados por dívidas tendem a ter mais estresse financeiro e menos previsibilidade, o que afeta desempenho e planejamento das companhias”.
Para ajudar na construção da reserva de emergência e na redução das dívidas, o especialista aponta cinco passos práticos:
1. Planejamento e controle do orçamento: Mapear receitas e despesas, fixas e variáveis, para evitar surpresas e permitir ajustes rápidos. Hiraki observa que “não se trata de planilhas complexas, mas de clareza sobre para onde o dinheiro vai”.
2. Revisão e renegociação de dívidas: Priorizar a redução dos juros, trocando dívidas caras por linhas mais baratas para liberar espaço no orçamento.
3. Corte de despesas recorrentes: Reavaliar assinaturas pouco usadas, tarifas bancárias e serviços redundantes, direcionando essas economias para a reserva.
4. Construção gradual do fundo: Acumular de três a seis meses de despesas essenciais em aplicações de alta liquidez e baixo risco, começando com valores menores, mas com regularidade. “O erro é esperar sobrar dinheiro. A reserva precisa ser prioridade”, alerta Hiraki.
5. Educação financeira contínua: Conversar sobre metas, envolver a família e acompanhar resultados para aumentar disciplina e reduzir conflitos. Para empresas, programas internos de orientação financeira podem diminuir pedidos de adiantamento e melhorar a previsibilidade.
Além disso, o especialista ressalta a importância de cuidados ao buscar orientação financeira especializada, como verificar a formação e experiência do profissional, entender o modelo de remuneração e exigir um diagnóstico personalizado.
A reserva de emergência contribui para reduzir a dependência de crédito, ampliar o poder de negociação em momentos de instabilidade, melhorar o planejamento financeiro e diminuir o estresse. Para as empresas, traz maior previsibilidade e estabilidade no fluxo de caixa.
Com o endividamento elevado e a renda pressionada, adiar a organização financeira pode aumentar vulnerabilidades. Como conclui Ricardo Hiraki, “imprevistos não avisam. Quem se prepara transforma crise em gestão. Quem não se prepara transforma gestão em crise”.
Este conteúdo foi elaborado com dados da assessoria de imprensa.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



