Mês da Mulher: a importância de destacar figuras femininas na história

Como a educação pode promover a igualdade de gênero ao valorizar o protagonismo feminino nas narrativas históricas

O Dia Internacional da Mulher, celebrado anualmente em 8 de março, é uma data de reflexão e busca por igualdade de gênero. A celebração foi proposta em 1910 por Clara Zetkin, professora, jornalista e política alemã, no II Congresso Internacional de Mulheres Socialistas. Nos anos posteriores, o dia passou a ser associado às 129 trabalhadoras que morreram no incêndio de uma fábrica têxtil, em Nova Iorque, em 1857, supostamente causado como forma de repressão às greves operárias.

Outros marcos históricos também ressaltam a luta feminina por equidade. É fundamental que esses temas sejam abordados continuamente na educação básica, relembrando a trajetória de figuras históricas de destaque em diferentes áreas.

É necessário dar visibilidade e destaque às personalidades femininas em sala de aula por uma questão de justiça histórica e representatividade, já que as mulheres e meninas compõem metade da população da humanidade, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU). Ao longo do tempo, foram relegadas ao papel de coadjuvantes e silenciadas nas narrativas oficiais, que tradicionalmente privilegiaram a figura do homem branco e ocidental. Portanto, cabe ao educador revisitar essas narrativas e apresentá-las sob um novo olhar.

Além disso, é insuficiente trabalhar o protagonismo feminino apenas em datas comemorativas. Isso reforça a ideia de que as mulheres são relevantes apenas de maneira pontual, o que faz com que os estudantes tomem como verdade, ainda que de forma inconsciente, que a História é feita por homens.

Para evitar essa percepção, os educadores devem assumir o compromisso de abordar a presença feminina nos mais diversos temas, construindo um processo de aprendizagem crítico e consciente de que as mulheres sempre estiveram presentes e atuantes nos grandes marcos históricos. A escola tem papel fundamental na ampliação de horizontes e na valorização da diversidade.

Dessa forma, o jovem aumenta seu repertório humano, crítico e cidadão, encontrando em figuras femininas inspiração e referência, além de reconhecer um protagonismo histórico que antes era silenciado. Como exemplo de nomes que podem ser trabalhados em sala de aula, destacam-se cinco mulheres que foram e continuam sendo importantes para a humanidade:

1. Nzinga Mbandi (1582-1663): rainha do Reino de Dongo (Angola) durante o período colonial. Por meio de uma diplomacia complexa e estratégias militares, negociou por décadas com europeus e resistiu ao domínio português em seu território.

2. “Índia” Vanuíre (?-1918): liderança indígena kaingang, considerada mediadora nos conflitos entre colonizadores e seu povo, no oeste paulista. Hoje, um museu indígena na cidade de Tupã (SP), com acervo de diversas etnias, leva seu nome como homenagem à sua atuação.

3. Nise da Silveira (1905-1999): médica brasileira que dedicou a vida à promoção de uma psiquiatria humanizada. Reconhecida mundialmente por revolucionar o tratamento em saúde mental no Brasil, foi crítica de métodos violentos e defensora da arte como ferramenta terapêutica em diferentes casos psiquiátricos.

4. Lyudmila Pavlichenko (1916-1974): francoatiradora soviética responsável por abater mais de 300 soldados nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, conhecida por sua coragem e determinação no conflito.

5. Dorothy Vaughan (1910-2008): matemática estadunidense, referência na área de computação e programação. Trabalhou na agência precursora da NASA e, em 1949, tornou-se a primeira supervisora negra da instituição, ainda sob a política de segregação racial dos Estados Unidos.

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Por Natalie Padrão Oliveira

professora de História do Sistema Anglo de Ensino

Artigo de opinião

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