Testes farmacogenéticos no SUS melhoram tratamento do câncer de mama

Estudo da SBM destaca impacto da genética na eficácia dos medicamentos no SUS

Um estudo realizado com a participação da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) aponta que a incorporação de testes farmacogenéticos no Sistema Único de Saúde (SUS) pode melhorar significativamente os resultados do tratamento do câncer de mama. A pesquisa revelou que características genéticas herdadas pelas pacientes interferem diretamente na eficácia dos medicamentos e nas respostas terapêuticas, o que pode levar a tratamentos mais seguros e eficazes.

O estudo, intitulado “Prevalência de variantes farmacogenômicas acionáveis em pacientes brasileiros com câncer”, foi publicado na revista científica Frontiers in Pharmacology. Ele envolveu 452 pacientes de 19 centros brasileiros, todos atendidos pelo SUS, abrangendo todas as regiões do país para garantir uma representatividade ampla da população. Entre os participantes, 259 mulheres tinham câncer de mama HER2-positivo, um tipo que apresenta crescimento e disseminação mais rápidos devido à alta expressão da proteína HER2.

Segundo Ruffo Freitas-Junior, mastologista e assessor especial da presidência da SBM, “nosso objetivo a partir deste estudo é caracterizar em pacientes brasileiros a frequência e a distribuição de farmacogenes acionáveis, ou seja, características genéticas herdadas que influenciam de forma significativa o metabolismo, a eficácia ou a toxicidade de medicamentos”. Ele destaca que essas informações permitem aos especialistas ajustar doses, trocar medicamentos ou evitar tratamentos inadequados com base nos fenótipos farmacogenéticos individuais.

A pesquisa identificou que quase todos os participantes (99,33%) apresentaram fenótipos farmacogenéticos acionáveis, que podem provocar diferentes reações a medicamentos e variações nos resultados dos tratamentos. Além disso, a análise de ancestralidade genética mostrou que a maioria dos pacientes tinha ascendência europeia (64,32%), seguida por africana (20,6%) e indígena (14,69%), refletindo a complexa miscigenação da população brasileira.

Essa diversidade genética acrescenta um desafio à implementação da farmacogenômica no Brasil, pois populações miscigenadas são sub-representadas em bancos de dados globais, o que pode limitar a precisão das ferramentas de predição fenotípica e diretrizes clínicas, geralmente baseadas em populações europeias. O estudo contribui para preencher essa lacuna ao fornecer dados específicos da realidade brasileira.

Apesar dos benefícios evidentes, os pesquisadores reconhecem que há barreiras a serem superadas para a adoção dos testes farmacogenéticos no SUS, como limitações financeiras, infraestrutura e necessidade de treinamento dos profissionais de saúde. Ruffo Freitas-Junior conclui que “é importante e urgente que a ciência siga gerando dados genômicos de populações sub-representadas. Tal esforço é essencial para o avanço equitativo da medicina de precisão não só no Brasil, mas em todo o mundo”.

Este conteúdo foi elaborado com dados da assessoria de imprensa da Sociedade Brasileira de Mastologia.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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