Primeira mulher indígena conquista mestrado em Educação pela UFSCar

Anacleide Assunção Costa Aguiar destaca o brincar como prática educativa intercultural na infância

No dia 26 de fevereiro, Anacleide Assunção Costa Aguiar, conhecida pelo nome indígena Diakarapó, do povo Dessana do Amazonas, tornou-se a primeira mulher indígena a defender mestrado em Educação pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). A conquista marca um importante avanço para a presença e protagonismo dos povos indígenas na universidade pública, segundo a própria Anacleide, que ressalta: “significou uma conquista coletiva. Representa a presença, a resistência e o protagonismo dos povos indígenas na universidade pública.”

Pedagoga formada pela UFSCar, Anacleide desenvolve pesquisas focadas na Educação das Relações Étnico-Raciais, especialmente nas metodologias e epistemologias indígenas. Ela integra o Núcleo de Ação Libertadora Decolonial e Estudos de Indiagem Abiayala (NALDEIA), grupo vinculado ao Centro de Culturas Indígenas da UFSCar, coordenado pelo professor Luiz Gonçalves Junior.

Sua dissertação, orientada pela professora Denise Aparecida Corrêa, do Departamento de Educação Física da Unesp e do PPGE/UFSCar, teve como título “A prática social do brincar entre crianças indígenas e não indígenas no Colégio de Aplicação da UFSCar: processos educativos interculturais na Educação Infantil”. A pesquisa recebeu apoio financeiro da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

O tema surgiu a partir da experiência de Anacleide no Colégio de Aplicação da UFSCar, onde realizou estágios e atuou como educadora indígena. Ela relata que as interações e brincadeiras entre crianças indígenas e não indígenas despertaram seu interesse em compreender o brincar como prática social e espaço de construção educativa intercultural.

A metodologia da pesquisa incluiu rodas de conversa, notas de campo e uma técnica indígena chamada Tehêy (Pescaria de Conhecimentos), criada pela educadora Pataxó Dona Liça. Essa metodologia envolve a coleta de conhecimentos por meio de desenhos simbólicos feitos coletivamente pelas crianças, representando suas compreensões culturais.

Os resultados indicaram que o brincar é um potente território para o diálogo entre culturas, promovendo cooperação, criatividade, respeito às diferenças e fortalecimento da identidade indígena e do reconhecimento cultural entre crianças não indígenas. Conforme Anacleide e sua orientadora, “o brincar constitui um potente território para o diálogo entre diferentes referências culturais no espaço escolar, possibilitando processos educativos interculturais e de afirmação da identidade indígena.”

Entre os desafios enfrentados, destacam-se a articulação entre referenciais teóricos acadêmicos e epistemologias indígenas, além da legitimação do brincar como prática social de produção de conhecimento. Atualmente, a dissertação está em processo de revisão e estará disponível no Repositório da UFSCar.

Anacleide já ingressou no doutorado do PPGE, demonstrando seu compromisso com os estudos e o engajamento político-social em torno das epistemologias indígenas. O conteúdo deste texto foi elaborado com dados da assessoria de imprensa da UFSCar.

Conceito visual principal em 10 palavras: escola, crianças, indígena, brincar, cultura, educação, infância, diversidade, diálogo, identidade.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

👁️ 62 visualizações
🐦 Twitter 📘 Facebook 💼 LinkedIn
compartilhamentos

Comece a digitar e pressione o Enter para buscar

Comece a digitar e pressione o Enter para buscar