Câncer do colo do útero deve crescer 13,5% no Brasil até 2028

Apesar de prevenível, casos aumentam; SBCO destaca importância da vacinação e exames

O câncer do colo do útero, uma doença evitável, deve registrar um aumento de 13,5% nos casos anuais no Brasil entre 2026 e 2028, segundo novas estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA). O país deve passar de 17.010 casos anuais no triênio 2023-2025 para 19.310 novos diagnósticos por ano no período seguinte.

Durante o Março Lilás, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) chama atenção para esse paradoxo: apesar de existirem estratégias eficazes de prevenção, como a vacinação contra o HPV e exames de rastreamento, o acesso e a adesão ainda não são suficientes para reverter essa tendência. O câncer do colo do útero é o terceiro mais frequente entre as mulheres no Brasil, atrás apenas dos tumores de mama e colorretal (excluindo câncer de pele não melanoma).

A SBCO destaca que o cenário atual exige uma resposta coordenada entre vacinação, rastreamento e tratamento oportuno. “O Brasil dispõe de instrumentos capazes de alterar de forma significativa a história natural da doença”, afirma a entidade. A vacinação contra o HPV, que reduz significativamente o risco do câncer e de outros tumores associados ao vírus, é um dos principais pilares da prevenção primária. Dados do Ministério da Saúde mostram que a cobertura vacinal em meninas de 9 a 14 anos atingiu 82%, acima da média global de 12%, mas ainda abaixo da meta de 90% estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Outro avanço importante é a incorporação progressiva do exame HPV-DNA no Sistema Único de Saúde (SUS). Diferente do Papanicolau, que detecta alterações celulares já estabelecidas, o teste molecular identifica diretamente o material genético do HPV, inclusive em mulheres assintomáticas, ampliando a capacidade de rastreamento precoce. Conforme a cirurgiã oncológica Viviane Rezende de Oliveira, vice-presidente da SBCO, “o teste HPV-DNA permite um rastreamento mais organizado e eficiente, com intervalos maiores entre os exames, que passam a ser de cinco anos.”

Além da vacinação e do rastreamento, o diagnóstico precoce é fundamental, pois o câncer do colo do útero costuma ser silencioso nos estágios iniciais. Sinais de alerta incluem sangramento vaginal anormal, corrimento com odor desagradável, dor pélvica e desconforto durante as relações sexuais.

No tratamento, estratégias são definidas caso a caso e envolvem cirurgia, radioterapia, quimioterapia, terapias-alvo e imunoterapia. O presidente da SBCO, Paulo Henrique de Sousa Fernandes, destaca que “os avanços recentes ampliaram as chances de controle da doença e as possibilidades de preservação da qualidade de vida”, com técnicas cirúrgicas mais precisas e terapias modernas.

A SBCO reforça que a combinação entre vacinação ampla, rastreamento eficiente e acesso oportuno ao tratamento é o caminho para que o Brasil alcance a meta global de eliminação do câncer do colo do útero. O desafio está em garantir que essas soluções cheguem de forma equitativa e contínua a toda a população feminina.

Conteúdo elaborado com dados da assessoria de imprensa.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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