Mulheres trabalham mais, mas empresas precisam rever estrutura e liderança
Avanço feminino no mercado exige mudanças estratégicas para equilíbrio e reconhecimento
Mulheres brasileiras estão dedicando mais horas ao trabalho remunerado e ampliando sua presença no mercado, segundo dados recentes baseados em estudos do Banco Mundial, Universidade da Califórnia em Berkeley e IBGE. Essa intensificação da jornada ocorre paralelamente ao crescimento da participação feminina na força de trabalho, que chegou a cerca de 53% em 2023, conforme a PNAD Contínua do IBGE. Além disso, as mulheres representam mais de 57% das matrículas no ensino superior, segundo o Censo da Educação Superior 2023 do Inep.
Apesar do avanço, a desigualdade salarial persiste: as mulheres recebem, em média, 21% menos que os homens. Além disso, elas dedicam quase o dobro do tempo ao trabalho doméstico não remunerado, com 21,3 horas semanais contra 11,7 horas dos homens. Esses dados evidenciam a sobrecarga que ainda recai sobre as mulheres, mesmo com maior qualificação e presença no mercado.
Carla Martins, vice-presidente do SERAC, destaca que “a mulher está mais qualificada, mais presente e trabalhando mais. Se o modelo de governança não evoluir, haverá impacto direto em retenção, desempenho e clima organizacional”. Ela defende que as empresas revisem suas métricas internas, colocando “promoção, sucessão, remuneração e desenvolvimento de lideranças femininas no centro da estratégia”. Carla reforça que “diversidade bem estruturada gera resultado mensurável. Não é discurso, é performance”, citando relatório da McKinsey & Company que relaciona maior presença feminina na liderança a melhor desempenho financeiro.
No campo da alta performance, Fernanda Tochetto, fundadora do Tittanium Club, explica que o conceito mudou: “Alta performance não é a mulher que trabalha 14 horas por dia e vive exausta. Hoje, isso se traduz em ter clareza de metas, domínio emocional, equilíbrio, organização estratégica e capacidade de delegar”. Fernanda ressalta a importância de competências como gestão de indicadores, liderança e proteção da saúde mental para evitar o adoecimento diante do aumento da jornada.
Já Jéssica Palin Martins, psicóloga e advogada especializada em saúde mental corporativa, alerta para os riscos da intensificação da jornada: “Quando combinamos jornadas extensas, responsabilidade profissional e carga doméstica, temos um cenário de risco organizacional”. Ela defende que “políticas de prevenção, escuta ativa e acompanhamento de clima organizacional não são benefícios opcionais, são instrumentos de gestão”.
O avanço da participação feminina no mercado e o aumento da carga de trabalho revelam a necessidade urgente de revisão estrutural nas empresas. As especialistas concordam que o desafio é transformar esse crescimento em liderança sustentável, com estratégia, reconhecimento e equilíbrio. Este conteúdo foi elaborado com dados da assessoria de imprensa.
Conceito visual principal: jornada, trabalho, liderança, equilíbrio, saúde mental
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



