Mulheres avançam em tecnologia e gestão, mas liderança feminina cresce lentamente
Executivas destacam desafios estruturais e impacto econômico da presença feminina no comando
O avanço da presença feminina em cargos de liderança no Brasil ainda enfrenta desafios significativos, apesar do crescimento no protagonismo econômico das mulheres. Em 2025, as mulheres ocupavam 34% dos cargos de alta gestão em empresas de médio porte no mundo, conforme o relatório Women in Business da Grant Thornton. Embora esse número tenha crescido em relação a 2024, o ritmo atual indica que a paridade total pode levar mais de 25 anos para ser alcançada.
No setor de tecnologia, a situação é ainda mais desafiadora. Dados da McKinsey apontam que, para cada 100 homens promovidos de cargos iniciantes para gerência, apenas 87 mulheres avançam. Além disso, a Accenture revela que a taxa de evasão feminina na área tech é 45% maior do que a dos homens. Mesmo assim, o protagonismo feminino na economia brasileira cresce: o relatório do Global Entrepreneurship Monitor, divulgado pelo Sebrae, mostra que 54,6% dos brasileiros com intenção de empreender até 2026 são mulheres. O IBGE também destaca que mais de 41 milhões de domicílios têm mulheres como principais provedoras.
Para Élida Queiroz, CEO da Altec, foodtech brasileira de software para bares e restaurantes, a liderança feminina vai além da representatividade. “Não se trata apenas de ocupar espaço, mas de transformar a forma como decisões são tomadas. Liderança feminina tem forte orientação a processo, dados e construção de times, e isso impacta diretamente a sustentabilidade do negócio”, afirma.
Na área técnica, Elis Hernandes, diretora de desenvolvimento da Marlabs e PhD em Engenharia de Software, ressalta que a presença feminina em cargos estratégicos ainda enfrenta barreiras estruturais. “Quando ampliamos a diversidade na liderança técnica e executiva, ampliamos perspectivas, a qualidade das soluções e a capacidade de inovação”, destaca.
Maíra Gregolin, líder de produto da TrackingTrade, reforça que as mulheres desenvolvem uma capacidade visceral de adaptação às transformações tecnológicas. “Cada transformação tecnológica cobra um preço de quem lidera: ou você se adapta ao novo modus operandi, ou perde a conversa. E venho percebendo que mulheres em tecnologia desenvolvem essa capacidade de forma mais visceral.” Ela também comenta sobre a importância do pensamento profundo, evidenciado pela inteligência artificial, que para as lideranças femininas não é novidade, pois “é exatamente o que sempre fizemos”.
Por fim, Monica Lupatin, diretora de Negócios do ICOM, socialtech brasileira focada em inclusão e comunicação acessível, destaca o papel das mulheres na construção de ambientes mais inclusivos. “Tecnologia não pode ser pensada apenas sob a ótica da eficiência. Inclusão e acessibilidade precisam estar no centro da estratégia empresarial. Quando as mulheres lideram essa agenda, ampliamos o alcance social das soluções”, afirma.
Os dados mostram que as mulheres estão empreendendo mais, sustentando lares e ocupando posições estratégicas. No entanto, a promoção desigual e a evasão no setor de tecnologia indicam que o avanço na liderança feminina ainda é lento, exigindo mudanças estruturais para que a presença das mulheres deixe de ser exceção e se torne regra.
Conteúdo elaborado com dados da assessoria de imprensa.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



