Câncer do colo do útero: desafios na prevenção e diagnóstico no Brasil
Apesar da vacina e exames eficazes, o acesso e rastreamento ainda são obstáculos para combater a doença
O câncer do colo do útero ainda representa um grave problema de saúde pública no Brasil, com cerca de 17 mil novos casos registrados anualmente, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Apesar de ser um dos poucos tipos de câncer que podem ser prevenidos e até eliminados, a doença permanece entre as principais causas de morte por câncer na população feminina, especialmente nas regiões Norte e Nordeste do país.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu em 2020 uma estratégia global para eliminar o câncer do colo do útero até o fim do século, com metas claras: vacinar 90% das meninas contra o HPV até os 15 anos, rastrear 70% das mulheres ao longo da vida com testes de alta performance e garantir tratamento adequado para 90% das diagnosticadas. O Brasil aderiu a esse compromisso, mas enfrenta desafios para alcançar a cobertura vacinal ideal e ampliar o acesso a exames mais sensíveis.
O papilomavírus humano (HPV) é a principal causa do câncer do colo do útero. “Na maioria das vezes, o HPV é eliminado naturalmente pelo organismo. O risco surge quando essa infecção persiste ao longo dos anos e provoca alterações nas células do colo do útero, que podem evoluir gradualmente até se tornarem um câncer invasivo”, explica a Dra. Michelle Samora, oncologista do Hcor.
Um dos maiores desafios é a evolução silenciosa da doença. “Esse é um tumor que pode permanecer assintomático por muito tempo. Quando surgem sintomas, como sangramento fora do período menstrual, sangramento após a relação sexual ou corrimento persistente, muitas vezes a doença já está em estágio mais avançado”, alerta a especialista. Por isso, o rastreamento regular é essencial, mesmo na ausência de sintomas.
Tradicionalmente, o exame citopatológico (Papanicolau) é utilizado para rastreamento, mas evidências recentes apontam que o teste molecular para detecção do HPV é mais sensível, permitindo intervalos maiores entre os exames quando o resultado é negativo. Países que adotaram o teste de HPV como método primário já observam redução mais rápida na incidência da doença. No Brasil, a incorporação desse exame ainda é gradual e desigual.
Além disso, o câncer do colo do útero apresenta subtipos diferentes, como o adenocarcinoma, que tem aumentado proporcionalmente e pode ser mais difícil de identificar apenas com a citologia convencional. Isso reforça a necessidade de métodos mais sensíveis e estratégias atualizadas.
A prevenção se apoia em dois pilares principais: vacinação e rastreamento. A vacina contra o HPV está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde para meninas e meninos de 9 a 14 anos, com esquema de dose única. Em 2024, o Brasil atingiu mais de 82% de cobertura vacinal entre meninas dessa faixa etária, superando a média global de 12%. Entre os meninos, a cobertura chega a 67%.
No tratamento, além da cirurgia, radioterapia e quimioterapia, há avanços como a imunoterapia e medicamentos que permitem maior precisão e menor impacto nos tecidos saudáveis.
“Temos ferramentas eficazes para reduzir drasticamente a incidência e a mortalidade por esse câncer nas próximas décadas. O que precisamos é ampliar a cobertura vacinal, fortalecer o rastreamento e garantir que o tratamento seja iniciado no tempo adequado. A eliminação do câncer de colo do útero como problema de saúde pública é possível, mas depende de compromisso contínuo”, conclui a Dra. Michelle Samora.
Conteúdo elaborado com dados da assessoria de imprensa.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



