Romance revela violências sutis e brutais contra mulheres no Camboja
“Instruções para desaparecer devagar” transforma experiência real em narrativa sobre medo e identidade feminina
“Instruções para desaparecer devagar”, romance de Flávia Iriarte, traz à tona as violências sutis e brutais que marcam a vida das mulheres, inspirando-se em uma experiência real vivida pela autora no Camboja. A narrativa se desenvolve a partir do medo visceral sentido em um quarto de hotel sem tranca, em uma noite escura na cidade de Siem Reap, cenário que se transforma no núcleo de terror psicológico da obra.
A história acompanha uma viagem entre amigas que, marcada por descobertas e conflitos, é abruptamente interrompida por um evento traumático. Esse momento força as personagens a confrontarem hierarquias sociais, culpas não admitidas e os alicerces frágeis de suas identidades. Flávia Iriarte define seu romance não apenas como um thriller psicológico, mas como uma “tragédia contemporânea”, que dialoga com a estrutura clássica de Aristóteles — erro trágico, peripécia e queda —, atualizando-a para um mundo onde o destino é moldado por forças sociais como capital, gênero e privilégio.
A autora ressalta: “Acho que toda mulher conhece esse estado. A sensação de que o perigo está sempre à espreita, de que a qualquer momento pode acontecer algo que não vamos conseguir evitar”. Essa sensação permeia a obra, que evita melodramas e clichês para focar na complexidade psicológica das personagens e na violência presente na juventude feminina.
Com estilo seco e objetivo, mas carregado de densidade existencial, o romance é influenciado por referências como o cinema de Michael Haneke e os romances de J.M. Coetzee, Elfriede Jelinek e Arnon Grunberg. Flávia cita obras como “Desonra” e “Caché” como fundamentais para a atmosfera de desconforto e análise moral que permeia o livro. Ela também destaca a influência do livro “Brazza”, de Mariana Brecht.
Flávia Iriarte, formada em Cinema pela UFF e mestre em Literatura pela PUC-Rio, tem uma trajetória consolidada no mercado editorial. Fundadora da Editora Oito e Meio e da escola online Carreira Literária, ela já orientou mais de 8 mil escritores. “Antes de ser escritora sou, em primeiro lugar, leitora. Depois, editora e professora de escrita criativa. Escrever é só uma consequência disso”, afirma.
Publicado pela Editora Faria e Silva, “Instruções para desaparecer devagar” é um livro que trata dos perigos reais e simbólicos enfrentados pelas mulheres, do impacto das experiências vividas e do lento processo de desvanecimento de certezas. O romance tem 156 páginas e foi lançado em 2025, consolidando Flávia como uma voz importante da ficção brasileira contemporânea.
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