Ampliação da licença-paternidade para 20 dias: um avanço para a igualdade no trabalho e na família
Como a nova legislação transforma a rotina dos pais, impacta as empresas e contribui para a redução das desigualdades de gênero
O Senado aprovou a ampliação da licença-paternidade, que passa de 5 para 20 dias, com o projeto prevendo também o salário-paternidade custeado pela Previdência Social. Essa medida representa um avanço importante para equilibrar responsabilidades familiares e reduzir as desigualdades entre homens e mulheres no mercado de trabalho.
Atualmente, o Brasil possui um dos períodos de licença-paternidade mais curtos do mundo, o que prejudica tanto as famílias quanto o ambiente corporativo. As mulheres ainda enfrentam discriminação em contratações e promoções porque ficam mais tempo afastadas. Se homens e mulheres tiverem prazos equivalentes para afastamento, essa diferença perde força e a desigualdade tende a diminuir.
A ampliação da licença-paternidade marca uma mudança estrutural nas relações de trabalho, pois pela primeira vez o debate ganha um olhar econômico e social. A ampliação gradual, custeada pela Previdência, reduz resistências do setor privado e aponta para um modelo mais equilibrado.
Para o trabalhador, o aumento do período de afastamento significa mais tempo de convivência com o bebê, estabilidade temporária após o retorno ao trabalho e remuneração integral durante o afastamento. Atualmente, com apenas cinco dias, a rotina do pai inclui quase nenhum contato com o recém-nascido, já que a jornada de trabalho e o deslocamento consomem a maior parte do tempo.
Na prática, a medida incentiva uma divisão mais justa das responsabilidades no puerpério, reduzindo a sobrecarga que recai quase exclusivamente sobre as mães.
Para as empresas, o principal desafio está no financiamento e na adaptação das políticas internas e contratos coletivos. A transferência do custeio para a Previdência torna o modelo mais sustentável e reduz a resistência empresarial. No entanto, será necessário revisar acordos, planejar orçamentos e atualizar políticas de recursos humanos.
Companhias que se anteciparem e adotarem medidas inclusivas tendem a se destacar, pois a sociedade já cobra esse protagonismo. Essas empresas ganharão em retenção de talentos e reputação corporativa, consolidando uma imagem positiva no mercado.
Além da licença-paternidade, a legislação trabalhista já prevê outros direitos para os pais, como estabilidade no emprego após o nascimento do filho, auxílio-creche que pode ser estendido ao pai, direito de acompanhar os filhos em consultas médicas e internações, e licença em caso de falecimento da mãe, com afastamento de até 120 dias.
A ampliação da licença-paternidade é, portanto, um passo decisivo para a construção de um ambiente de trabalho mais justo e para a promoção de uma paternidade ativa e presente, beneficiando tanto as famílias quanto as organizações.
Por Giovanni Cesar
mestre em Direito do Trabalho
Artigo de opinião



