Recorde de afastamentos por saúde mental pressiona empresas a agir
Alta nos casos e nova NR 1 exigem políticas contínuas para cuidar do bem-estar no trabalho
O Brasil vive um momento crítico em relação à saúde mental no ambiente corporativo. Em 2024, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) registrou um recorde histórico de mais de 470 mil afastamentos por transtornos mentais, superando em muito os 288.865 benefícios concedidos em 2023. Esses números evidenciam um problema estrutural nas empresas, que precisam ir além das campanhas pontuais de conscientização para cuidar efetivamente da saúde emocional dos colaboradores.
Rodrigo Araújo, CEO da Global Work e especialista em saúde ocupacional, ressalta que “campanhas de conscientização são importantes, mas não substituem gestão contínua. Quando o cuidado vira apenas pauta de calendário, a empresa atua nos efeitos e não nas causas”. A preocupação não é apenas com o bem-estar, mas também com o impacto financeiro: a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que depressão e ansiedade causam perdas globais de cerca de US$ 1 trilhão por ano, o que corresponde a aproximadamente 12 bilhões de dias de trabalho comprometidos.
Além do cenário preocupante, a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR 1), oficializada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, passou a exigir que as empresas incluam os riscos psicossociais em seus Programas de Gerenciamento de Riscos. Isso significa que fatores como sobrecarga, assédio e ambiente organizacional inadequado precisam ser identificados, mapeados e prevenidos de forma contínua.
Para auxiliar as empresas a estruturar uma política permanente de saúde mental, Rodrigo Araújo apresenta cinco medidas estratégicas:
1. Diagnóstico com dados mensuráveis – Monitorar afastamentos, faltas e rotatividade para identificar padrões de risco e integrar esses dados aos indicadores financeiros.
2. Capacitação da liderança – Treinar gestores para reconhecer sinais de sobrecarga e prevenir conflitos, atuando como primeiro filtro de prevenção.
3. Estrutura permanente de atendimento – Implantar programas de apoio psicológico e telemedicina que funcionem durante todo o ano, garantindo constância e confidencialidade.
4. Integração entre saúde física e emocional – Considerar que doenças crônicas, ergonomia e fatores emocionais estão interligados, adotando modelos integrados para reduzir custos e melhorar o engajamento.
5. Escolha criteriosa de parceiros especializados – Avaliar cobertura nacional, conformidade legal e capacidade de entrega de indicadores claros ao contratar empresas de saúde ocupacional.
Segundo Araújo, a principal vantagem dessas ações é a previsibilidade: “Quando o cuidado é estruturado, a empresa reduz passivos, melhora clima organizacional e sustenta crescimento. Não se trata apenas de cumprir norma, mas de proteger o negócio.”
Com o aumento dos afastamentos e a regulação mais rigorosa, a saúde mental deixa de ser uma pauta simbólica e passa a integrar a agenda de governança e competitividade das empresas, exigindo atenção contínua e estratégica.
Este conteúdo foi elaborado com dados da assessoria de imprensa.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



