Carreira e Maternidade: Como a Gestão do Imprevisível Fortalece a Liderança Feminina
No Dia Internacional da Mulher, refletimos sobre os desafios e aprendizados de empreender enquanto se vive a maternidade em tempos de incerteza.
No ambiente corporativo, ainda se fala sobre gestão de risco quando o tema é empreendedorismo feminino. Mas, na prática, o maior desafio não é apenas correr riscos, mas sustentar uma rotina constante de aprimoramento, gestão emocional e tomada de decisão sob ambientes de incerteza. Liderar um negócio é lidar com o imprevisível. E para muitas mulheres, isso acontece simultaneamente à maternidade.
Empreender chegou à minha vida aos 22 anos e, 16 anos depois, a empresa cresceu, estruturou equipe, conquistou clientes e amadureceu processos. Mas existe um ponto que raramente é discutido no Dia Internacional da Mulher: mesmo quando tudo parece organizado, o controle sobre fatores externos não existe. Planejamento estratégico é fundamental, mas ele não elimina a imprevisibilidade: ele prepara o negócio para atravessar esses períodos.
Neste ponto, a maternidade trouxe consciência de forma mais clara, principalmente com a chegada da minha segunda filha, que aconteceu dois meses antes do início da pandemia. Em um cenário onde o mercado perdeu referências, previsões e segurança, o ambiente empresarial se tornou um território de decisões diárias sem manual. Havia incerteza econômica, insegurança operacional e um mercado que também não sabia o que esperar.
Ao mesmo tempo, havia um caminho: a presença diária da maternidade, que durou exatos dois anos. E essa presença não enfraqueceu a liderança do negócio, a ampliou. A convivência constante com minhas filhas ampliou a visão de negócio, porque trouxe clareza sobre prioridades, reforçou a confiança no time e acelerou um movimento importante: descentralização, fortalecimento de lideranças internas e construção de cultura organizacional.
A conciliação entre carreira e maternidade exige da mulher algo que vai além da organização de agenda, como gestão mental constante, capacidade de adaptação rápida, maturidade emocional para lidar com o imprevisível, disciplina para manter foco mesmo em cenários instáveis, além de confiança na equipe e coragem para delegar.
Quando a maternidade chega, a ideia de “dar conta de tudo” precisa ser desmistificada em ambas as realidades, a familiar e a dos negócios. Afinal, “dar conta de tudo” não significa fazer tudo sozinha, mas significa se estruturar para que a vida seja funcional dentro de cada realidade.
No Dia Internacional da Mulher, mais do que celebrar conquistas, é importante reconhecer a complexidade da jornada feminina nos negócios, enquanto optam por também realizarem o sonho de serem mães. Não se trata de romantizar a sobrecarga, mas de reconhecer que muitas mulheres lideram empresas enquanto atravessam ciclos pessoais intensos — e ainda assim entregam crescimento, inovação e resultado.
A capacidade de adaptação, aprendizado contínuo e fortalecimento interno é o que sustenta o crescimento. E, muitas vezes, é exatamente a maternidade que amplia essas competências.
Por Talita Scotto
diretora do Grupo Contatto, com foco em assessoria de imprensa e comunicação integrada
Artigo de opinião



