Estudo revela desigualdades no envelhecimento das classes C, D e E no Brasil
Velhices periféricas vivem mais, mas enfrentam menos saúde e segurança financeira
O estudo “Velhices Periféricas: o descompasso entre os tempos de viver, trabalhar, cuidar e sustentar”, realizado pelo data8, traz uma análise inédita sobre o envelhecimento das classes C, D e E no Brasil. A pesquisa revela que brasileiros com mais de 50 anos dessas classes sociais vivem mais, mas enfrentam um envelhecimento marcado por menos saúde, menor autonomia financeira e baixa proteção social.
A pesquisa parte da identificação de quatro tempos que compõem a longevidade: tempo de vida (lifespan), tempo vivido com saúde (healthspan), tempo de permanência no trabalho (workspan) e tempo de autonomia financeira (moneyspan). O estudo aponta que o descompasso entre essas dimensões explica as desigualdades do envelhecimento periférico, mostrando que o aumento da expectativa de vida não significa necessariamente mais saúde ou segurança econômica.
O termo “periférico” é usado para designar não apenas moradores de favelas, mas também aqueles que vivem nas periferias geográficas, econômicas e simbólicas do país. Segundo Adriana de Queiroz, coordenadora do estudo, “a periferia é entendida, na análise, como uma condição social, marcada por menor acesso a serviços e oportunidades; menor proteção social; e maior exposição a riscos ao longo da vida do indivíduo.”
Entre as principais conclusões, destaca-se o perfil da velhice periférica: predominantemente feminina, negra e trabalhadora. Nas classes C e D, 55% das pessoas com mais de 50 anos são mulheres, e cerca de 70% se autodeclaram negras ou pardas. Essas mulheres vivem em domicílios multigeracionais, sustentando lares e cuidando de múltiplas gerações, com 43% delas ajudando financeiramente filhos e netos.
A desigualdade territorial também impacta o tempo de vida. Dados do Mapa da Desigualdade mostram que a expectativa de vida feminina varia de 82 anos em bairros nobres a 58 anos em regiões periféricas da mesma cidade, evidenciando uma desigualdade de tempo de vida.
No campo do trabalho, o estudo revela que o prolongamento da vida ativa é uma realidade forçada. Apenas 34% dos brasileiros 50+ das classes C e D têm a aposentadoria como principal fonte de renda, e 52% dos aposentados da classe D continuam trabalhando. O trabalho autônomo é central para 41% desse grupo, sendo uma estratégia de sobrevivência mais do que escolha vocacional.
Apesar da baixa renda média mensal, cerca de R$ 1.600, a economia periférica é ativa, com consumo anual estimado em R$ 300 bilhões nas favelas brasileiras. No entanto, o dinheiro circula sem se transformar em poupança ou patrimônio, e 15% permanecem fora do sistema financeiro formal. O consumo é pragmático, orientado por preço e promoção, e o público 50+ movimenta R$ 180 bilhões por ano nas classes C e D.
Na saúde, o descompasso é ainda maior. Quase 60% dos brasileiros 50+ da classe D nunca tiveram plano de saúde, e 61% dependem da UBS como principal porta de entrada no sistema. Apenas 41% avaliam sua saúde como boa, contra 68% nas classes A e B. A prevenção é limitada pela estrutura, e o cuidado é reativo e coletivo, apoiado na fé e nas redes comunitárias.
O estudo foi elaborado com dados da assessoria de imprensa e destaca que, embora se viva mais, a velhice periférica enfrenta desafios significativos em saúde, segurança financeira e reconhecimento social.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



