Peça “Nós, os Justos” estreia e aborda a cultura do cancelamento em tribunal simbólico
Kiko Rieser dirige espetáculo que investiga o julgamento coletivo e suas consequências no ambiente corporativo
Estreia no dia 6 de março, no Teatro Itália, a peça “Nós, os Justos”, escrita e dirigida por Kiko Rieser, que aborda a cultura do cancelamento sob a forma de um julgamento simbólico. A montagem, que conta com os atores Camila dos Anjos, Luciano Gatti, Marco Antônio Pâmio e Thamiris Mandú, coloca o público diante de uma estrutura cênica que reproduz os quatro componentes principais de um tribunal: juiz, acusação, defesa e testemunha.
Ambientada em uma grande empresa, a trama gira em torno de rumores sobre a conduta de um funcionário, que desencadeiam um processo interno de apuração. O que deveria ser um procedimento objetivo se transforma em uma disputa de versões e interesses, onde a verdade torna-se instável e a força dos discursos prevalece sobre os fatos. “A gente tem a alegoria na peça dos quatro componentes principais do tribunal: o juiz, a acusação, a defesa e a testemunha. A encenação foi pensada para que cada um cumpra esse papel simbólico, transformando o palco nesse espaço de julgamento que não oferece saída fácil ao público”, explica Kiko Rieser.
O espetáculo reflete um cenário contemporâneo em que a linha entre fazer justiça e praticar o justiçamento tornou-se tênue, especialmente diante da pressão coletiva e da necessidade imediata de apontar culpados. Rieser destaca que a peça nasceu de um “caldeirão de emoções genuínas combinadas com a falta de racionalidade” e que o cancelamento, muitas vezes, surge de um clamor legítimo por justiça que se converte em desejo de punição imediata.
Outro elemento importante da montagem é a presença invisível da “manada”, um coro formado pelos demais funcionários da empresa que pressiona, comenta e julga, influenciando decisões e alimentando rumores. O diretor alerta para os riscos desse comportamento coletivo: “Quando a identificação imediata com uma história passa a importar mais do que o compromisso com a realidade, o risco de injustiça se torna enorme.”
“Nós, os Justos” não oferece respostas prontas, mas convida o público a refletir sobre a complexidade dos julgamentos sociais e a necessidade da escuta antes de qualquer posicionamento. A peça estreia no dia 6 de março, sexta-feira, às 20h, com sessão para convidados marcada para 9 de março, segunda-feira, às 20h30.
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