Saúde Feminina no Ambiente Corporativo: Estratégia Essencial para Produtividade e Redução de Custos

Como a prevenção e o cuidado contínuo com a saúde da mulher impactam positivamente o desempenho e resultados das empresas

O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, tem deixado de ser apenas uma data simbólica nas empresas para se tornar um ponto de revisão estratégica. Diante da incidência elevada de doenças que atingem o público feminino e do avanço dos afastamentos por incapacidade no país, organizações começam a incorporar exames preventivos ao planejamento anual como ferramenta de gestão de risco e produtividade.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil deve registrar 73.610 novos casos de câncer de mama por ano no triênio 2023–2025, o que mantém a doença como a mais incidente entre mulheres, excluídos os tumores de pele não melanoma. Para o câncer do colo do útero, a estimativa é de 17.010 novos casos anuais no mesmo período. Ambas as enfermidades apresentam maiores chances de cura quando diagnosticadas precocemente.

A prevenção precisa migrar da lógica de campanha para a de planejamento. A saúde da mulher não pode ser tratada como ação pontual de março. Quando a empresa inclui exames preventivos no calendário anual, ela reduz riscos assistenciais e preserva sua capacidade produtiva.

O cenário econômico reforça o alerta. Dados do Ministério da Previdência Social indicam que foram concedidos 288.865 benefícios por incapacidade relacionados a transtornos mentais e comportamentais em 2023, um crescimento relevante em relação ao ano anterior. Embora o dado não seja exclusivo do público feminino, ele evidencia o avanço do adoecimento no ambiente de trabalho e seu impacto direto sobre as empresas.

As mulheres representam cerca de 43% da população ocupada no país, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o que amplia o efeito sistêmico de afastamentos prolongados. Quando uma colaboradora se afasta por doença, o impacto vai além da função que ela ocupa. Há sobrecarga de equipe, perda de continuidade e custo de reposição. Prevenção é uma decisão financeira.

O cuidado estruturado gera retorno mensurável. Empresas que monitoram indicadores de saúde conseguem reduzir absenteísmo e multiplicar o retorno sobre o investimento. É uma equação de gestão, não apenas de responsabilidade social.

A incorporação da saúde feminina ao planejamento exige método e acompanhamento contínuo. O ponto de partida é integrar o tema à estratégia de RH e à governança corporativa.

Cinco passos para reduzir afastamentos e transformar a prevenção em estratégia financeira nas empresas:

1. Mapear perfil epidemiológico interno
Levantamento de dados de absenteísmo, faixa etária e histórico de afastamentos permite definir prioridades e direcionar recursos de forma mais eficiente.

2. Inserir exames preventivos no orçamento anual
Mamografia, Papanicolau e consultas periódicas devem fazer parte do planejamento financeiro da empresa, evitando ações emergenciais.

3. Contratar fornecedores com estrutura e indicadores
Avaliar rede credenciada, conformidade legal, capacidade de monitoramento e entrega de relatórios de desempenho. Sem indicador, não há gestão.

4. Comunicar de forma contínua e educativa
Campanhas internas permanentes aumentam adesão e reduzem barreiras culturais, ampliando o alcance das ações.

5. Monitorar impacto e retorno financeiro
Acompanhamento de afastamentos, custos assistenciais e produtividade ajuda a demonstrar resultados concretos. Quando o gestor enxerga redução de afastamento e melhoria de desempenho, a prevenção deixa de ser custo e passa a ser estratégia.

Ao estruturar programas permanentes, as empresas fortalecem a marca empregadora, reduzem passivos trabalhistas e constroem ambiente organizacional mais estável. A integração entre saúde física e mental também favorece retenção de talentos e engajamento.

Há, porém, cuidados necessários. A implementação deve respeitar confidencialidade de dados médicos e observar a legislação trabalhista. Além disso, ações isoladas ou concentradas apenas em datas comemorativas tendem a ter baixa adesão.

A prevenção precisa estar no planejamento desde o início do ano. Se a empresa age apenas quando o problema aparece, ela paga mais caro. Cuidar da saúde feminina é proteger o negócio.

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Por Rodrigo Araújo

Técnico em Segurança do Trabalho, engenheiro ambiental, CEO da Global Work, especialista em negócios B2B, com mais de 20 anos de experiência em saúde ocupacional e segurança do trabalho.

Artigo de opinião

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