Câncer de colo do útero: prevenção e vacina podem evitar 19 mil casos no Brasil
Vacinação, rastreamento e informação são essenciais para reduzir os casos da doença no país
O câncer de colo do útero permanece como um dos maiores desafios da saúde feminina no Brasil, com estimativa de mais de 19 mil novos casos por ano, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA). Mundialmente, o GLOBOCAN 2023 aponta cerca de 662 mil diagnósticos anuais da doença, que é a principal causa de morte por câncer entre mulheres jovens no país.
A principal causa do câncer de colo do útero é a infecção persistente pelo Papilomavírus Humano (HPV), um vírus altamente comum entre adultos sexualmente ativos. O estudo POP-Brasil (2015–2017) indicou prevalência superior a 60% em algumas capitais brasileiras. Embora o organismo elimine o vírus na maioria das vezes, a persistência dos tipos de alto risco, especialmente os subtipos 16 e 18, pode evoluir para lesões pré-cancerosas e, posteriormente, para o câncer.
As oncologistas da Oncoclínicas, Larissa Müller Gomes e Andreia Melo, destacam que a prevenção é fundamental. Larissa afirma que “falar de prevenção feminina é falar de HPV. E não podemos mais tratar esse assunto como tabu. É um problema social, econômico e de saúde pública”. Ela reforça que vacinação, rastreamento e informação são as três chaves para mudar essa realidade, já que o câncer é, em grande parte, evitável.
A vacinação contra o HPV é apontada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como a principal estratégia para eliminar o câncer de colo do útero até 2030. No entanto, a adesão à vacina no Brasil ainda é baixa, com apenas 56,8% dos meninos e 81,1% das meninas recebendo a primeira dose entre 2014 e 2023. Larissa destaca que “a vacina é segura, eficaz e amplamente estudada”, mas que o medo e a desinformação, muitas vezes alimentados por fake news, dificultam a adesão.
Além da imunização, o rastreamento é essencial para o diagnóstico precoce. O teste de DNA-HPV, recentemente incorporado às diretrizes do Ministério da Saúde, é mais sensível e custo-efetivo que o tradicional Papanicolau, detectando a infecção antes da evolução para o câncer. Segundo Larissa, “quando combinamos vacinação e rastreamento organizado, conseguimos reduzir drasticamente a mortalidade. É um investimento em futuro e em equidade”.
Andreia Melo reforça que “a prevenção é a melhor escolha” e que é fundamental unir esforços entre famílias e profissionais de saúde para proteger meninas e meninos. Ela lembra que, quando diagnosticado precocemente, o câncer de colo do útero pode ter até 90% de redução na mortalidade.
O impacto social da doença também é significativo: estima-se que cerca de 200 mil crianças fiquem órfãs de mãe anualmente devido ao câncer de colo do útero. Larissa conclui que “falar sobre ele é cuidar da vida das mulheres, das famílias e das próximas gerações”.
Este conteúdo foi elaborado com dados da assessoria de imprensa.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



