Biomarcadores no nascimento indicam sinais precoces do autismo, revela estudo
Pesquisa japonesa identifica ácidos graxos no cordão umbilical que podem antecipar diagnóstico do TEA
Um avanço importante na compreensão do Transtorno do Espectro Autista (TEA) foi publicado recentemente na revista Psychiatry and Clinical Neurosciences pela Universidade de Fukui, no Japão. O estudo identificou biomarcadores no sangue do cordão umbilical que podem indicar traços autísticos ainda no útero, antecipando o diagnóstico tradicional do autismo.
A pesquisa analisou amostras de 200 crianças e revelou que níveis elevados do ácido graxo 11,12-diHETrE estão associados a dificuldades na interação social. Já baixos níveis do 8,9-diHETrE foram relacionados a comportamentos repetitivos e restritivos, características comuns no espectro autista. Esses compostos são subprodutos da enzima epóxido hidrolase solúvel (sEH), que regula a inflamação durante o desenvolvimento fetal.
O neurocientista brasileiro Dr. Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues, pós-PhD em neurociências e diretor do Centro de Pesquisas e Análises Heráclito (CPAH), comenta que “a importância desse achado está na sinalização de um ambiente pró-inflamatório durante a maturação neural”. Segundo ele, quando a atividade da sEH está alterada, diminui a proteção anti-inflamatória natural do cérebro em formação, o que pode desencadear efeitos no sistema nervoso central.
Além disso, o Dr. Fabiano destaca uma possível conexão com o sistema glutamatérgico, responsável pela excitação cerebral. A inflamação indicada pelos ácidos graxos pode causar um desequilíbrio entre estímulos excitatórios e inibitórios, conhecido como E/I imbalance. “O excesso de glutamato resultante dessa inflamação pode causar excitotoxicidade, prejudicando a maturação de áreas nobres do cérebro, como o córtex pré-frontal ventromedial e o orbitofrontal”, explica o especialista. Essas regiões são essenciais para a empatia, regulação emocional e leitura de sinais sociais, funções que costumam apresentar desafios em pessoas com TEA.
Apesar do potencial desses biomarcadores para antecipar o diagnóstico, o Dr. Fabiano ressalta que o autismo não tem uma causa única. Ele afirma que “não estamos falando de uma causa única, mas de uma peça fundamental de um quebra-cabeça complexo”. A integração desses indicadores com exames de imagem e avaliações clínicas precoces pode aprimorar o suporte e permitir intervenções que modifiquem o ambiente cerebral antes do surgimento dos sintomas comportamentais.
Este conteúdo foi elaborado com dados da assessoria de imprensa.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



