Romance revela trajetória de mulher na violência de gênero e Brasil militarizado

Em "Os Interiores", João Matias narra a jornada de Tieta em meio a crises políticas e sociais

Em seu romance de estreia, “Os Interiores” (Editora Patuá, 164 páginas), o autor João Matias constrói a história de Tieta, uma mulher marcada por privações e violências que atravessa os interiores do Nordeste brasileiro em um contexto de militarização e crise política. A trama começa quando Tieta assassina o marido, o general Mauro Müller, e parte em uma viagem para recuperar as terras que pertenciam à sua família.

Esse deslocamento é o fio condutor da narrativa e coloca a protagonista diante de um Brasil em decomposição, onde se articulam violência institucional, autoritarismo e práticas históricas de exclusão social. Segundo João Matias, o livro foi inspirado pelo cenário político recente do país: “Quando idealizei Os Interiores fui instigado pelos anos de descaso, violência, ódio, injustiça social e climática pelo qual o Brasil passou entre 2018 e 2022”.

A violência de gênero é um dos eixos centrais da obra, atravessando a formação de Tieta desde a infância. O autor destaca que o romance aborda “a questão de gênero através do modo como Tieta se construiu em sua infância, das privações que teve, das violências que enfrentou e que viu em sua mãe. Dos homens que teve de enfrentar para ser quem é”. A ambição da protagonista está ligada a esse histórico de exclusão e relações fracassadas.

Enquanto Tieta avança em sua jornada pessoal, o país ao redor se fragmenta. O romance apresenta retirantes tratados como ameaça e submetidos à contenção violenta, confinados em campos de concentração improvisados. João Matias explica que esses retirantes podem ser entendidos como refugiados climáticos, retomando práticas históricas brasileiras conhecidas como “currais do governo”, criados no início do século XX para conter populações deslocadas pela seca.

A estrutura do livro reforça o deslocamento contínuo da protagonista, com o autor pensando “numa estrutura que fizesse o leitor estar no banco de trás de um carro, observando a geografia da terra, os retirantes, os diálogos, as cenas do livro”. A paisagem assume papel central na narrativa, pois “os personagens dialoguem com o espaço e sejam em parte sujeito e objeto dele”.

Na quarta capa, o escritor Sérgio Tavares destaca a tensão e ritmo do romance: “Os Interiores se estrutura, em grande parte, numa espécie de road book, em que cenas brutais e diálogos afiados se cruzam num fluxo de tensão que flerta com o novo horror, ao mesmo tempo que traz em suas elipses referências aos anseios reacionários de um Brasil recente.”

Para João Matias, escrever o romance foi também um gesto de enfrentamento político: “É a minha maneira de acertar as contas com o governo militarista outrora vivido nos idos de 2018”. Assim, “Os Interiores” articula violência de gênero, ambição e poder em uma narrativa que reflete um Brasil marcado por abismos sociais, políticos e humanos.

Este conteúdo foi elaborado com dados da assessoria de imprensa.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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